PL recua de apoio a Ciro Gomes no Ceará após pressão

PL recua de apoio a Ciro Gomes no Ceará após pressão

PL recua de apoio a Ciro Gomes no Ceará após pressão – Na última terça-feira (2 de dezembro), o Partido Liberal informou que as negociações com o PSDB foram interrompidas, poucas horas depois de seus líderes na Assembleia Legislativa reforçarem o nome de Ciro Gomes como alternativa para enfrentar o PT em 2026.

A decisão veio após reunião tensa entre o presidente estadual da sigla, deputado federal André Fernandes, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que discordou da estratégia.

Líderes estaduais defenderam a aliança

Antes do recuo, a deputada estadual Dra. Silvana declarou em plenário ter ouvido do ex-presidente Jair Bolsonaro que “todas as tratativas do Ceará passariam por André Fernandes”.

Em evento chamado “Café da Oposição”, o deputado Alcides Fernandes, pai de André, classificou as críticas à aproximação com Ciro como “pancadas” injustas e responsabilizou aliados que, segundo ele, queriam agradar Michelle Bolsonaro.

Família Bolsonaro reage e partido recua

Após o encontro de domingo (30), Michelle Bolsonaro considerou “precipitada” a aliança. A reação provocou manifestações públicas de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro em defesa de André Fernandes, ressaltando que o deputado apenas seguia orientação do pai.

Mesmo assim, a executiva nacional avaliou que a crise poderia comprometer a unidade do partido e determinou a suspensão das conversas. Em nota, o PL disse buscar “alternativa viável que respeite os valores da direita conservadora”.

Contexto eleitoral e relevância de Ciro

Nos últimos dois pleitos presidenciais, Ciro Gomes manteve forte capital político no Ceará: em 2022, recebeu 41,8% dos votos válidos no estado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

A força regional do ex-ministro é vista por analistas como fator de risco para o projeto do PT de reeleger o governador Elmano de Freitas e, por isso, parte do PL defendia a composição com o PSDB para atraí-lo.

Com a suspensão, caberá a André Fernandes articular novo nome até 2026, enquanto o PSDB nacional aguarda definição para selar possível coligação.

No cenário local, a indefinição prolonga a disputa interna da direita e pode beneficiar o grupo governista, que busca ampliar a base com prefeitos e parlamentares.

O impasse também sinaliza que Michelle Bolsonaro pretende ganhar protagonismo nos palanques estaduais, movimento que tende a influenciar futuras costuras partidárias.

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Crédito da imagem: Reprodução

Vinicius Balbino

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