Europeus estudam Exército único para conter Moscou, diz Espanha
BRUXELAS – A proposta de unificar as Forças Armadas dos 27 países da União Europeia voltou ao radar diplomático “com urgência” depois da invasão russa à Ucrânia, e a Espanha passou a pressionar oficialmente pelo avanço da ideia na última semana.
- Em resumo: Madri quer transformar acordos pontuais de defesa em um Exército europeu permanente, capaz de atuar sem depender da OTAN.
Por que o assunto voltou agora?
Nos corredores da Comissão Europeia, diplomatas afirmam que o bloco gasta cerca de €214 bilhões por ano em defesa, mas com pouca coordenação, segundo a Agência Europeia de Defesa. A guerra prolongada no Leste expôs lacunas logísticas, como diferentes calibres de munição e sistemas de comunicação incompatíveis, encarecendo a ajuda militar à Ucrânia.
A Espanha argumenta que um comando único tornaria o continente “menos vulnerável” a Washington e aceleraria a reposição de arsenais esgotados pelos envios a Kiev.
“Gastamos somas astronômicas e ainda dependemos de terceiros para proteger nossos cidadãos”, disse um diplomata espanhol ao jornal El País.
O que mudaria na prática
Hoje, os países participam de iniciativas como a Cooperação Estruturada Permanente (PESCO) e o Fundo Europeu de Defesa, mas continuam soberanos na hora de enviar tropas. O plano de Madri prevê:
• Quartel-general central em Bruxelas;
• Orçamento comum para pesquisa de armamentos;
• Padrão único de treino e equipamento.

Especialistas lembram que, para sair do papel, o projeto precisa de aval unânime – desafio enfrentado desde que a França lançou ideia semelhante em 1954. Além disso, constituições de Alemanha e Itália exigem aprovação parlamentar para missões fora do território nacional, o que pode retardar decisões em crises.
O debate esbarra ainda em questões financeiras: o Banco Central Europeu projeta que cada 1% adicional do PIB destinado à defesa pode custar ao bloco €150 bilhões em dez anos. Sem consenso sobre a fonte dos recursos, países endividados, como Grécia e Itália, pedem compensações.
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Crédito da imagem: Divulgação
