Correnteza leva menino de 12 anos em Fortaleza; buscas suspensas
Fortaleza/CE – A força de uma enxurrada no Rio Siqueira arrastou um menino de 12 anos, na última terça-feira (27), durante o temporal que alagou ruas e paralisou bairros da capital cearense. Equipes do Corpo de Bombeiros varreram canais até o Conjunto Ceará, mas a visibilidade zero e o risco de afogamento obrigaram a interromper mergulhos.
- Em resumo: chuva intensa cria correnteza e desaparecimento mobiliza buscas em três bairros.
Buscas desafiadas pela correnteza e visibilidade mínima
O adolescente brincava na chuva com um amigo perto do Centro Cultural do Bom Jardim quando entrou no canal e sumiu em segundos. O colega foi puxado por moradores, porém o garoto desaparecido seguiu o fluxo do rio. Horas depois, uma testemunha relatou ter visto um corpo boiando no Conjunto Ceará, indício ainda não confirmado pelas autoridades.
A água turva impediu os mergulhadores de descerem. Segundo estimativas do Corpo de Bombeiros, a velocidade da lâmina d’água no local ultrapassava 1,5 m/s, condição que coloca em risco tanto militares quanto equipamentos.
“Não podemos mergulhar. A correnteza está muito forte por causa da chuva intensa; ele deve ter seguido o fluxo do rio”, relatou o subtenente P. Carneiro.
Por que enchentes continuam fatais?
Dados do Atlas da Violência mostram que afogamentos matam mais de 5 mil brasileiros por ano, muitos deles crianças atraídas por áreas alagadas ou rios urbanos sem proteção. Em Fortaleza, o Plano Municipal de Redução de Riscos prevê barreiras físicas e campanhas educativas, mas a expansão desordenada dos bairros cria novos pontos vulneráveis a cada estação chuvosa.

Especialistas alertam que a impermeabilização do solo, aliada à falta de bocas de lobo limpas, aumenta a velocidade da água nos canais. A Defesa Civil orienta manter distância mínima de três metros das margens durante temporais e nunca entrar em rios ou canais para “tomar banho” — prática comum que, em situações de correnteza, pode ser fatal em menos de 30 segundos.
O que você acha? Medidas como cercar canais e reforçar campanhas nas escolas seriam suficientes para evitar novas tragédias? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Nathally Kimberly – TV Verdes Mares