Ex-leprosário cearense vira modelo de cuidado à hanseníase

Ex-leprosário cearense vira modelo de cuidado à hanseníase

Redenção (CE) – Quase um século depois de abrir as portas como leprosário, o Centro de Convivência Antônio Diogo (CCAD) passou de símbolo de isolamento a referência em reabilitação, pesquisa e memória da hanseníase, reunindo 140 moradores e dezenas de profissionais de saúde.

  • Em resumo: local que já impôs internação compulsória hoje oferece tratamento, moradia e atividades culturais, combatendo o estigma da doença.

Das grades ao acolhimento: entenda a transformação

Fundado em 1928, o antigo Leprosário Canafístula segregava pacientes sem qualquer opção de tratamento. Desde 1962, quando o Brasil aboliu o isolamento compulsório, o espaço passou por sucessivas reformas até tornar-se centro de convivência gerido pela Secretaria da Saúde do Ceará. Hoje, consultas, fisioterapia e oficinas de cultura dividem o mesmo endereço onde funcionam 65 casas, enfermarias e um memorial histórico.

“A maioria dos casos é diagnosticada na Atenção Primária e tratado gratuitamente pelo SUS”, reforça o secretário executivo de Vigilância em Saúde, Antonio Silva Lima Neto, destacando que a capacitação dos profissionais é chave para cortar a cadeia de transmissão.

“Aqui é um céu. As crianças correm e eu continuo pedalando”, resume Sônia do Nascimento, 63, moradora que vive no local há 53 anos.

Contexto nacional: por que o estigma ainda persiste?

O Brasil registrou 17.979 novos casos de hanseníase em 2022, segundo o Ministério da Saúde, mantendo-se como o segundo país com maior incidência no mundo. Especialistas alertam que a associação exclusiva a “manchas na pele” atrasa o diagnóstico: dormência, formigamento e perda de sensibilidade costumam aparecer antes.

No Ceará, o CCAD e o Centro de Referência em Dermatologia Dona Libânia formam a retaguarda especializada da rede pública. Ambos oferecem cursos regulares para equipes municipais, alinhados à estratégia da Organização Mundial da Saúde de eliminar incapacidades até 2030.

Além da assistência, o Memorial Leprosaria Canafístula preserva documentos, objetos e relatos de quem sobreviveu à antiga política de segregação. Visitas podem ser agendadas pelos telefones (85) 3332-2673 / 3332-9483, contribuindo para a formação de estudantes e para manter viva a lembrança de que o preconceito também deixa cicatrizes.

O que você acha? A história do CCAD mostra que informação e acolhimento superam o isolamento? Para acompanhar outras pautas sobre o Ceará, acesse nossa editoria.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino

Vinicius Balbino faz parte da equipe do C4 Notícias, atuando na produção de conteúdos sobre esportes, atualidades, tecnologia, entretenimento e acontecimentos de grande repercussão. Com experiência em jornalismo digital e cobertura de notícias online, desenvolve matérias com linguagem clara, moderna e acessível para diferentes públicos. Seu trabalho acompanha diariamente os temas mais relevantes do Brasil e do mundo, levando informação rápida, confiável e atualizada aos leitores do portal.