BRB pode ter de cobrir R$ 5 bi após colapso do Banco Master
Brasília – O BRB poderá reservar até R$ 5 bilhões para cobrir rombos de operações realizadas com o Banco Master, segundo depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, à Polícia Federal.
- Em resumo: valor é quase o dobro da provisão inicialmente exigida pelo BC e pode pressionar o balanço do BRB em 2026.
Por que a conta ficou tão alta?
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e, no mesmo dia, prendeu o controlador Daniel Vorcaro por suspeita de fraudes. Na avaliação preliminar, o BC havia exigido do BRB R$ 2,6 bi em provisões. Agora, Aquino fala em mais R$ 2,2 bi, totalizando até R$ 5 bi. O cálculo considera a “qualidade dos ativos” que o BRB recebeu do Master, segundo disse o diretor em depoimento consultado pela agência Reuters.
Para entender o tamanho do impacto, basta lembrar que o lucro líquido do BRB em 2024 foi de R$ 1,1 bilhão. Ou seja, a nova reserva pode consumir mais de quatro anos de resultados, pressionando índices de Basileia e capacidade de concessão de crédito, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central.
“A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”, afirmou Ailton Aquino no depoimento.
Efeitos para o cliente e para o mercado
Especialistas lembram que, quando um banco estatal como o BRB precisa reforçar capital, as alternativas vão de corte de dividendos a pedidos de aporte dos acionistas — o governo do Distrito Federal detém 80% das ações. Em situações semelhantes, instituições recorreram a empréstimos subordinados ou à emissão de bônus híbridos para não paralisar a oferta de crédito.

Dados do BC mostram que empréstimos problemáticos representam 2,8% da carteira do sistema em 2025, menor patamar em oito anos. Caso o BRB amplie esse índice, pode haver efeito dominó no custo de captação de bancos médios, segundo analistas.
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