Lula estuda lançar Camilo após Ciro disparar nas pesquisas
BRASÍLIA – O Planalto elevou o nível de atenção sobre a sucessão no Ceará e, segundo a revista Veja, avalia escalar o ministro da Educação Camilo Santana (PT) para disputar o Palácio da Abolição em 2026, reação direta à recente subida de Ciro Gomes (PSDB) nos levantamentos internos.
- Em resumo: possível candidatura de Camilo é vista como barreira a uma derrota que enfraqueceria Lula no Nordeste.
Por que Camilo virou a carta na manga
Camilo governou o Ceará por dois mandatos e deixou o cargo com popularidade acima de 60%. O cálculo pragmático de Lula é simples: colocar um nome já testado nas urnas para conter o avanço de Ciro, cujo capital político voltou a crescer, especialmente na Região Metropolitana de Fortaleza, de acordo com dados preliminares citados pela Veja.
Nas eleições de 2022, o PT conquistou 71,2% dos votos válidos no Nordeste, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Perder o Ceará, portanto, implicaria risco direto à base eleitoral que garantiu a vitória de Lula no segundo turno.
“A prioridade é neutralizar qualquer ponto de desgaste que possa reverberar regionalmente em 2026”, confidenciou à revista um auxiliar presidencial.
Risco regional e efeito dominó em 2026
Além do Ceará, a Bahia também entrou no radar da equipe política do Planalto, mas a situação cearense é considerada mais delicada. O governador Elmano de Freitas (PT) ainda não consolidou índices competitivos — algo incomum num país onde, desde 1998, apenas quatro governadores perderam quando buscaram a reeleição, mostra levantamento do Atlas da Violência.

A eventual derrota petista no estado teria efeito cascata: reduziria a vantagem de Lula no colégio eleitoral nordestino e abriria espaço para acordos entre opositores em outras unidades da federação.
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