3.022 mortes levam Ceará à liderança; facções elevam feminicídios
Fortaleza/CE – O Ceará encerrou 2025 com 3.022 assassinatos, o que empurrou o estado para o topo do ranking nacional de mortes violentas e fixou a taxa em 32,6 por 100 mil habitantes – mais que o dobro da média brasileira de 15,97%, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
- Em resumo: 90% dos homicídios estão ligados à guerra entre facções e os feminicídios cresceram 14,63% em um ano.
Guerra de facções responde por 90% dos homicídios
O coordenador da Copol, Harley Filho, confirmou que nove em cada dez assassinatos no estado derivam da disputa territorial entre grupos como Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Tudo Neutro. A dissolução parcial da Guardiões do Estado, explica pesquisadores, acirrou essa corrida por bairros estratégicos e rotas de tráfico.
Para conter a escalada, a Secretaria da Segurança Pública aponta 240 prisões interestaduais e a apreensão de 1.592 armas de fogo, além de R$ 3 milhões em prejuízo ao crime com bloqueio de cabos de internet usados para extorsão.
“Uma viatura com três policiais entra em qualquer local do Ceará”, garantiu Harley Filho, rebatendo a ideia de territórios dominados.
Ainda assim, especialistas chamam atenção para o fato de que hegemonia de um só grupo – como ocorreu com o PCC em São Paulo nos anos 2000 – costuma reduzir tiroteios, mas não elimina o poder paralelo.
Feminicídios batem recorde desde 2018
O número de mulheres assassinadas por razão de gênero atingiu 47 casos em 2025, maior marca desde que a estatística passou a ser publicada. A alta, segundo o Laboratório de Estudos da Violência da UFC, reflete a persistência de padrões patriarcais que transformam o lar em palco de agressões fatais. Em 61% dos registros, o autor possuía vínculo afetivo com a vítima.
Embora o governo estadual tenha ampliado para 73 os equipamentos de proteção à mulher, pesquisadores alertam que a presença das facções dificulta o acesso das vítimas à rede de acolhimento. Dados do Atlas da Violência mostram que, nacionalmente, o Nordeste concentra 28% dos feminicídios do país.

Por que o Ceará lidera enquanto o Brasil cai?
Enquanto o Brasil acumula cinco anos seguidos de queda e fechou 2025 com redução de 11% nos assassinatos, o Ceará seguiu trajetória oposta. Para o professor Artur Pires, a sobreposição entre guerra criminal e violência de gênero cria um “efeito multiplicador” que pressiona as estatísticas.
O avanço das facções também se reflete na geografia das mortes: 54% ocorreram na Grande Fortaleza, com Maranguape assumindo o título de cidade mais violenta do país.
O que você acha? A hegemonia de uma facção pode realmente reduzir a violência ou apenas mudar quem domina? Para mais análises, acesse nossa editoria de Segurança.
Crédito da imagem: Divulgação / G1
