Grande Fortaleza tem alta na extrema pobreza entre 2015 e 2024
Grande Fortaleza tem alta na extrema pobreza – Entre 2015 e 2024, a proporção de moradores da capital cearense e municípios do entorno vivendo com renda per capita inferior à linha da miséria subiu de 4,2% para 6,8%, revelam dados da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O avanço de 2,6 pontos percentuais representa cerca de 348 mil pessoas em situação de indigência numa região metropolitana que reúne 3,9 milhões de habitantes.
O que dizem os números do IBGE
O levantamento comparou microdados de 2015 com a edição divulgada em 2024. No mesmo intervalo, o índice nacional de extrema pobreza passou de 5,2% para 6,0%, enquanto capitais como Belo Horizonte e Curitiba registraram queda.
A linha de extrema pobreza utilizada pelo IBGE considera quem vive com menos de R$ 218 por mês (valor de referência do CadÚnico em vigor). Veja os principais pontos:
- Grande Fortaleza: 6,8% da população (348 mil pessoas) em 2024;
- Média do Nordeste: 8,1%;
- Média do Brasil: 6,0%.
Os dados completos podem ser consultados na página oficial do IBGE.
Fatores que agravam a vulnerabilidade
Para o economista João Mário de França, professor da UFC e pesquisador da FGV, o custo de vida mais alto nos grandes centros e a predominância de empregos informais, com baixa remuneração, pressionam o orçamento das famílias.
Ele ressalta ainda que parte dos extremamente pobres ocupa moradias em áreas de risco, com acesso limitado a creches, unidades de saúde e transporte público, o que aprofunda a exclusão social e limita oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
O especialista lembra que, mesmo com programas de transferência de renda como o Bolsa Família, a inflação dos alimentos – de 5,8% acumulados nos últimos 12 meses, segundo o IPCA – reduz o poder de compra e eleva a insegurança alimentar.

Para conter o avanço da miséria, entidades defendem políticas de geração de emprego formal, expansão da rede de serviços públicos e atualização periódica do benefício mínimo de assistência social.
No contexto estadual, a Secretaria da Proteção Social do Ceará afirma que novas ações de capacitação profissional devem ser detalhadas até o fim do semestre.
No entanto, organizações da sociedade civil alertam que, sem acompanhamento contínuo e metas claras, a escalada da extrema pobreza pode se manter nos próximos anos.
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