Padre de Quixadá vira alvo da polícia após denúncia de transfobia
QUIXADÁ (CE) – A homilia de domingo (1º) do padre Francisco Wilson gerou uma denúncia formal de transfobia e abriu inquérito na Delegacia de Polícia Civil local, acendendo o debate sobre discursos de ódio nos púlpitos.
- Em resumo: associação LGBT acionou Ministério Público e polícia; Diocese avalia trecho da pregação.
Por que a fala virou caso de polícia
Durante a missa, o sacerdote afirmou que “homem é homem e mulher é mulher”, rejeitando identidades de gênero. A Associação Cearense de Diversidade e Inclusão (Acedi) considerou a mensagem discriminatória e protocolou queixa-crime. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Ceará registrou alta de 20% em crimes violentos contra pessoas trans em 2023, o que reforça a gravidade do episódio.
A Polícia Civil confirma a investigação por “conduta transfóbica” e orienta possíveis vítimas a prestarem depoimento. O Ministério Público aguarda o inquérito para decidir se oferece denúncia.
“Falas que negam identidades podem naturalizar a violência”, alertou a Acedi na representação enviada ao MP.
Posicionamento da Igreja e próximos passos
O advogado da Diocese de Quixadá, Romero Lemos, informou que o padre será ouvido antes de qualquer medida disciplinar. A Cúria quer analisar a íntegra da pregação para evitar “conclusões precipitadas”.
Se o Ministério Público entender que houve crime, o religioso pode responder com base na Lei 7.716/89, que equipara transfobia ao crime de racismo desde decisão do STF (2019). A pena varia de um a cinco anos de prisão, além de multa.

Embora a liberdade religiosa seja protegida, juristas lembram que ela não se sobrepõe ao direito fundamental de não sofrer discriminação. O Ceará, por sinal, dispõe da Lei Estadual 16.946/19, que prevê sanções administrativas a práticas LGBTfóbicas em espaços públicos ou privados.
O que você acha? Discursos religiosos podem ultrapassar o limite da fé e ferir direitos civis? Para acompanhar casos semelhantes no estado, acesse nossa editoria de Segurança.
Crédito da imagem: Divulgação / Diocese de Quixadá