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domingo, março 15, 2026

Aliança de US$ 12 bi em minerais: Brasil impõe condição inédita

Aliança de US$ 12 bi em minerais: Brasil impõe condição inédita

Washington, EUA – Em 4 de fevereiro de 2026, o vice-presidente norte-americano JD Vance apresentou a 55 países um bloco comercial de minerais críticos financiado com US$ 10 bilhões do Exim Bank e US$ 2 bilhões do setor privado. O Brasil participou apenas como observador e avisou que só topará aderir caso o acordo inclua plantas industriais em território nacional, repetindo a exigência defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “nada de ser mero exportador de minério”.

  • Em resumo: Brasília só entra no consórcio se ganhar agregação de valor e tecnologia.

Por que o Brasil hesita diante do pacote americano

Segundo o Itamaraty, a decisão “não será tomada de forma célere” porque envolve soberania sobre reservas estratégicas como níquel, nióbio e as segundas maiores terras raras do planeta. A chancelaria avalia se negocia transferência de tecnologia, empregos e cadeia de refino antes de assinar qualquer protocolo.

Fontes do Planalto dizem que o tema tende a ser tratado diretamente por Lula em eventual viagem a Washington. A prioridade, explicam, é garantir que a exportação bruta de minério não repita o “modelo primário-exportador” que marcou o ciclo do ferro.

“Quem quiser nossos minerais vai ter que industrializar o nosso país”, reiterou Lula no Palácio do Planalto.

Potencial bilionário sob o solo brasileiro

Relatório do Instituto Brasileiro de Mineração mostra que apenas 3% das 21 milhões de toneladas brasileiras de terras raras estão em projetos ativos. Na prática, o país ainda importa 80% dos insumos para ímãs de motores elétricos, mesmo sendo dono da matéria-prima.

O impasse ganhou força depois que a China restringiu exportações de gálio e germânio em 2025, assustando montadoras dos EUA. De imediato, o governo norte-americano elevou a busca por parceiros capazes de diversificar o suprimento — daí a mesa com Coreia do Sul, Índia, Alemanha e Austrália.

Para analistas, a contraproposta do Brasil mira benefícios semelhantes aos conquistados no setor de petróleo com o conteúdo local: criar empregos de alta qualificação e escalar participação em uma cadeia global estimada em US$ 500 bilhões até 2030.

O que você acha? O Brasil deve condicionar a adesão a fábricas e tecnologia ou aproveitar já o pacote americano? Para mais análises sobre geopolítica e economia, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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