EUA liberam US$ 565 mi e ganham fatia na Serra Verde
Minaçu (GO) – Em um movimento que pode redesenhar a geopolítica dos minerais críticos, a mineradora brasileira Serra Verde obteve um empréstimo de US$ 565 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) do governo dos Estados Unidos, que ainda terá direito a uma participação minoritária na companhia.
- Em resumo: Washington injeta capital e se aproxima das reservas brasileiras para reduzir dependência da China.
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O recurso virá da Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC) e será usado para quitar dívidas em condições menos favoráveis e ampliar a produção de óxidos de terras raras. Segundo a companhia, o depósito goiano possui uma das raras concentrações significativas de disprósio e térbio fora da Ásia, metais vitais para ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.
A iniciativa faz parte do Projeto Vault, pacote de US$ 10 bilhões anunciado na última quarta (4) pelo vice-presidente J.D. Vance, que busca criar um bloco comercial preferencial de 55 países para garantir suprimento de minerais estratégicos. Dados do IBGE mostram que o Brasil detém a 2ª maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China.
“O produto da Serra Verde apresenta elevada concentração de disprósio e térbio — dois minerais críticos — além de outros elementos essenciais para setores automotivo, médico e aeroespacial”, destacou a empresa.
O que muda para o mercado e para o Brasil
A planta de Minaçu iniciou operação comercial em 2024 e planeja atingir 6.500 t anuais de óxidos de terras raras até 2027. Para analistas, esse volume ainda é modesto frente às 240 mil t extraídas globalmente em 2025, mas o sinal político é forte: os EUA querem diversificar fornecedores depois que Pequim restringiu exportações em 2025, pressionando preços em até 80%.

O Ministério de Minas e Energia afirmou que avalia parcerias internacionais “em consonância com os interesses nacionais” e não descarta que o tema apareça numa visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, atualmente em fase de sondagem diplomática.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
