Uece testa cannabis em crianças autistas; SUS na mira
FORTALEZA/CE – A Universidade Estadual do Ceará iniciou a fase organizacional de um inédito ensaio clínico que vai avaliar a eficácia e a segurança de uma formulação rica em canabidiol em 120 crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Se confirmada a eficácia, o medicamento poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2027 e 2028.
- Em resumo: estudo duplo-cego, placebo-controlado e randomizado testará doses ajustáveis de cannabis em crianças de 3 a 11 anos no CE e em SP.
Por que este ensaio é considerado “padrão-ouro”
A pesquisa, conduzida pelo Laboratório de Neurociência e Inovação Translacional (Lanit) e pelo Grupo Genit, segue o desenho metodológico mais robusto da ciência clínica, garantindo alto nível de evidência. Serão três meses de acompanhamento multiprofissional, com exames laboratoriais antes e depois da intervenção.
Segundo o professor Gislei Aragão, responsável técnico, a randomização minimiza vieses e aumenta a confiabilidade dos achados. O objetivo principal é reduzir comportamentos disruptivos — agitação, agressividade e inquietação — hoje tratados, em geral, com antipsicóticos de alto índice de efeitos adversos.
“Nosso compromisso é publicar os resultados, positivos ou não. Não prometemos cura, mas buscamos um protocolo seguro”, frisa Gislei Aragão.
O que muda para famílias e para o SUS
Se os dados forem favoráveis, o estudo oferecerá base científica para que a Anvisa avalie a inclusão do produto na lista de medicamentos de referência. A RDC 660/2022 já permite a importação de derivados de cannabis, mas sem amparo de estudos com populações brasileiras.
Hoje o TEA atinge 1 em cada 36 crianças, segundo o dados do Ministério da Educação sobre inclusão escolar que usam estimativas do CDC norte-americano. No Brasil, o tratamento farmacológico ainda é limitado e custoso: frascos importados de óleo de canabidiol podem superar R$ 2 mil por mês.

Com um produto nacional, produzido em parceria com a GreenCare Pharma, o custo deve cair drasticamente. Além disso, a confiabilidade de um ensaio registrado e auditado abre caminho para padronização de dose e prescrição, algo inexistente na maior parte dos óleos artesanais vendidos hoje.
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Crédito da imagem: Divulgação / Governo do Estado do Ceará
