Drone lotado de ecstasy: polícia frustra arremesso em presídio
Itaitinga (CE) – Três homens foram detidos em flagrante depois de serem surpreendidos operando um drone próximo à unidade prisional da cidade, na Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo a Polícia Militar, o equipamento serviria para lançar comprimidos de ecstasy, cocaína, maconha e celulares sobre os muros do presídio, estratégia que vem se tornando cada vez mais sofisticada nas rotas de abastecimento do crime organizado.
- Em resumo: Denúncia anônima levou à apreensão de drones, drogas e celulares numa casa a 300 m do presídio.
Rota aérea do crime: como o drone seria usado
Após receber a denúncia de um carro e uma motocicleta circulando repetidamente pelo entorno da unidade, equipes policiais seguiram os veículos até uma residência. Lá encontraram dois drones prontos para voo, 25 comprimidos de ecstasy, cerca de cinco gramas de substância semelhante à cocaína e pouco mais de 100 gramas de maconha. De acordo com dados do Atlas da Violência, o uso de tecnologias como drones para abastecer facções é apontado como tendência nacional desde 2020.
Especialistas em segurança penitenciária explicam que, com autonomia de até 7 km e capacidade de carga superior a 500 g, drones de uso recreativo podem transportar lotes suficientes para abastecer uma ala inteira, lucrando até cinco vezes mais que a rota terrestre por conta do menor risco de revista.
“Mantemos ações contínuas de inteligência para impedir a entrada de itens proibidos e contamos com denúncias anônimas”, informou a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) em nota.
Números do tráfico e reforço penitenciário
Dados do Departamento Penitenciário Nacional mostram que, em 2023, ao menos 86 tentativas de entrega aérea em presídios brasileiros foram registradas, 40% a mais que no ano anterior. No Ceará, a SAP afirma ter interceptado cinco drones somente no primeiro semestre deste ano, número que já supera todo o ano passado.

Para conter o avanço, o estado investiu em telas de proteção sobre pátios, bloqueadores de frequência e capacitação de agentes em técnicas de contradrone. O Código Penal brasileiro prevê pena de até 15 anos de reclusão para quem favorece a entrada de drogas em presídios, agravada pelo uso de tecnologia.
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Crédito da imagem: Divulgação / PMCE
