Cabo da PM flagrado com 34 kg de maconha usa carona para burlar blitz
Icó/CE – A Polícia Militar prendeu um cabo da corporação, a esposa dele e uma passageira após a apreensão de 34,8 kg de maconha em malas deixadas numa pousada às margens da BR-116, na última quinta-feira (5 de fevereiro).
- Em resumo: droga saiu de Campo Grande (MS) rumo a Fortaleza e foi interceptada após o militar tentar despistar a fiscalização.
Como o plano desmoronou em minutos
O setor de inteligência recebeu alerta sobre um veículo transportando entorpecentes para a capital. A primeira abordagem ocorreu em Ipaumirim; ao se identificar como policial, o cabo Francisco Mateus Bezerra Aguiar Ferreira convenceu a equipe a liberar o carro sem revista.
Quilômetros adiante, os agentes descobriram que a passageira Emanoela Chaves Rocha fora deixada em um restaurante com duas malas. Localizada em uma pousada de Icó, ela confessou que receberia R$ 3 mil para levar a carga de maconha de Mato Grosso do Sul até Fortaleza, implicando o militar e a esposa, a veterinária Zayra Cardoso Figueiredo, no acordo.
“A quantidade de droga dificilmente passaria despercebida aos olhos de um cabo da PM em serviço há oito anos”, frisou a decisão judicial que decretou a prisão preventiva.
Prisões, versões e o peso da prova
Durante a audiência de custódia, o juiz manteve preso o cabo e a passageira; já Zayra ganhou liberdade provisória, mas está proibida de visitar o marido na cadeia.
O militar alega que ofereceu carona via aplicativo e que, após notar o nervosismo da passageira, pediu orientação a uma equipe da PRF antes de abandoná-la com a bagagem. Porém, segundo o depoimento de Emanoela, o casal já sabia do conteúdo das malas e receberia parte do pagamento.

Tráfico interestadual em números
Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o Ceará apreendeu mais de 9 toneladas de maconha em 2024, alta de 18 % sobre o ano anterior, reforçando a rota Nordeste para escoar drogas vindas da fronteira Sul.
A carga de 34,8 kg, embora menor que grandes lotes, é suficiente para produzir cerca de 70 mil cigarros, apontam estudos da Polícia Federal. O prejuízo estimado às organizações criminosas ultrapassa R$ 170 mil no varejo cearense.
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Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Militar
