Facção cobrava R$1 mil/dia pela venda de água em Sobral
SOBRAL/CE – Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar expôs que o Comando Vermelho tentou dominar o comércio de água mineral na cidade, impondo taxas que chegavam a R$ 1 mil por dia a comerciantes locais e R$ 1,50 por garrafão às distribuidoras, segundo inquérito divulgado na última semana.
- Em resumo: ordem para extorquir água partiu de liderança foragida no Rio de Janeiro e já soma 10 presos.
Como a cobrança funcionava
De acordo com depoimentos obtidos pela polícia, o líder “Big Smurf”, escondido no Rio, enviava instruções em grupos de WhatsApp. Só duas marcas estavam “liberadas”; qualquer outra seria impedida de circular. Quem resistisse recebia visitas armadas.
Na prática, os suspeitos atuavam em duas frentes: exigiam parte de cada venda das distribuidoras e, nos bairros Alto da Brasília, Paraíso das Flores e Recanto, obrigavam comerciantes a pagar valores diários para continuar abertos.
“Recusei e sugeriram uma taxa de R$ 1 mil por dia. Fechei o depósito, deixei meus bens e fugi da cidade”, relatou uma das vítimas à TV Verdes Mares.
Expansão do crime e impacto regional
Segundo o Atlas da Violência, o Ceará registrou aumento de 18 % nos crimes de extorsão em cinco anos, reflexo da busca das facções por novas fontes de renda que vão além do tráfico.
Especialistas apontam que a tática de controlar serviços básicos — já aplicada a internet, loterias e até água de coco — reforça o poder territorial dos grupos e eleva preços ao consumidor. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) apura se empresas de fachada ajudavam a lavar o dinheiro arrecadado.

Os dez suspeitos detidos têm entre 18 e 29 anos; metade acumula passagens por tráfico ou roubo. Um deles foi solto após audiência de custódia, mas segue investigado por integrar organização criminosa.
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Crédito da imagem: Divulgação/SSPDS
