24.3 C
Ceará
domingo, março 29, 2026

Facção impõe trégua, mas 350 torcedores acabam detidos no CE

Facção impõe trégua, mas 350 torcedores acabam detidos no CE

FORTALEZA, CE – O Ministério Público do Ceará (MPCE) apura mensagens atribuídas a uma facção criminosa que teria ordenado o fim das brigas entre torcidas de Ceará e Fortaleza, dias após os líderes das principais organizadas renunciarem aos cargos. A orientação, porém, não impediu que 350 pessoas fossem capturadas antes do primeiro Clássico-Rei de 2026, no último domingo (8).

  • Em resumo: facção proíbe confrontos, mas PM ainda detém centenas de torcedores armados com rojões, soco-inglês e explosivos caseiros.

Do “salve” virtual às ruas: como a ordem circulou

Áudios e textos que circulam em grupos de mensagens atribuem à facção a ameaça de punição a quem promovesse novas brigas. Segundo o próprio MPCE, o material foi recebido e integra um inquérito sigiloso. Já a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que facções vêm buscando reduzir a exposição policial em eventos esportivos para “manter negócios ilícitos longe dos refletores”.

No mesmo período, Weslley Paulo (Dudu), ex-presidente da Torcida Organizada Cearamor, e Anderson Xiboi, ex-líder da Torcida Uniformizada do Fortaleza, gravaram vídeos anunciando saída imediata dos cargos. Ambos não responderam aos contatos da reportagem.

“Essas brigas trazem problema para a organização e botam o sistema dentro da quebrada”, diz um trecho do suposto comunicado da facção.

Escalada de violência e possíveis crimes

Mesmo com a ameaça de represálias internas, quatro bairros da capital – Barra do Ceará, Edson Queiroz, Bom Jardim e Passaré – registraram cenas de socos, chutes e uso de artefatos explosivos horas antes da partida. No Edson Queiroz, equipes do CPRaio detiveram 184 pessoas, entre elas 81 adolescentes.

Os envolvidos podem responder por associação criminosa, corrupção de menores, lesão corporal, desacato, desobediência, resistência e tumulto previsto na Lei Geral do Esporte. De acordo com especialistas em direito esportivo, penas podem chegar a quatro anos de prisão e suspensão de frequentar estádios por até cinco anos.

Relatórios recentes do Atlas da Violência alertam que conflitos entre torcidas mantêm alta frequência no Nordeste, pressionando secretarias de segurança a reforçar inteligência pré-jogo. A SSPDS confirmou que seus núcleos de inteligência acompanham o caso ao lado da Polícia Civil.

O que você acha? Medidas como esta “trégua” imposta por facção podem realmente conter a violência nos estádios? Para mais notícias de segurança pública, visite nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / G1

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
Últimas Notícias
Saiba Mais

Destaques de Agora