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quinta-feira, março 26, 2026

‘Se morrer, morre magro’: influencer cearense lucra com caneta proibida

‘Se morrer, morre magro’: influencer cearense lucra com caneta proibida

FORTALEZA/CE – A venda clandestina de canetas emagrecedoras ganhou força nas redes sociais cearenses e já levou à prisão de suspeitos, apreensão recorde de 1,8 mil ampolas e investigações por pancreatite grave, segundo a Anvisa.

  • Em resumo: Influencer cobra até R$ 1,4 mil por dose e ironiza risco de morte.

Como funciona o esquema virtual

Perfis no Instagram e grupos de WhatsApp oferecem as seringas em doses fracionadas, driblando a exigência de receita e de venda exclusiva em farmácias autorizadas. Em um dos anúncios, o vendedor — com mais de 300 mil seguidores — responde a um cliente temeroso: “Se você morrer, morre magro”. A Polícia Civil do Ceará já deteve um homem de 28 anos com dez canetas, documentos falsos e 31 cartões de terceiros.

Os preços variam entre R$ 150 e R$ 1,4 mil, valor que supera em até 200% o praticado em drogarias. Além do influenciador de Horizonte, uma mulher que se apresentava como nutricionista anunciava envios para o interior — seu registro profissional está cancelado, informou o CRN.

“Esse mercado paralelo é extremamente perigoso; não sabemos o que há dentro da seringa nem como foi armazenada”, alerta a endocrinologista Ana Flávia Torquatto.

Risco sanitário e legislação

Desde 2025, canetas com semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida têm liberação da Anvisa para o tratamento de diabetes e obesidade, mas seguem as regras da RDC 344/1998: exigem retenção de receita e cadeia de frio de 2 °C a 8 °C. Fora desse protocolo, a substância pode perder estabilidade ou ser adulterada.

A Receita Federal destruiu cerca de 2 mil unidades apreendidas no Aeroporto de Fortaleza em 2025 e outras 1.842 somente em janeiro de 2026. Dados do Atlas da Obesidade indicam que 22% dos adultos brasileiros tentam métodos rápidos de perda de peso, um cenário que alimenta o contrabando. O uso sem supervisão médica também eleva o risco de pancreatite aguda; seis casos já são analisados pela agência reguladora.

O que você acha? A fiscalização deveria ser mais rígida ou a conscientização é o caminho? Para mais reportagens sobre segurança e saúde, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Receita Federal

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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