Venda de resort a fundo do Master acua Toffoli; veja resposta
BRASÍLIA/DF – O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nota na manhã desta quinta-feira (12) confirmando a participação societária de sua família no resort Tayaya, no Paraná, e negando qualquer pagamento ou vínculo pessoal com o banqueiro investigado Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
- Em resumo: Toffoli diz ter vendido a fatia no resort antes de assumir o inquérito sobre fraudes no Master e afirma não ter recebido dinheiro de Vorcaro.
Por que o negócio virou alvo da PF
A Polícia Federal citou o ministro em relatório enviado ao presidente do STF após recuperar diálogos entre Vorcaro e o cunhado, Fábio Zettel, sobre o resort Tayaya. A corporação sugere possível suspeição de Toffoli no processo que apura fraudes na tentativa frustrada de vender o Master ao banco BRB — operação barrada pelo Banco Central em 2023.
O documento provocou reação imediata do gabinete, que classificou as menções como “ilações” e lembrou que a Lei Orgânica da Magistratura permite cotas em empresas desde que o magistrado não atue na gestão.
“O ministro jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, afirma a nota oficial.
Venda parcelada e linha do tempo
A participação da empresa familiar Maridt no Tayaya saiu em duas etapas: 27 de setembro de 2021, para o fundo Arllen; e 21 de fevereiro de 2025, para a PHD Holding, ambos ligados à estrutura do Master. Quando o inquérito chegou ao STF, em novembro de 2025, a Maridt já não figurava mais no quadro societário, alega o ministro.

Especialistas em direito público lembram que, nos últimos cinco anos, ao menos 14 pedidos de suspeição de ministros chegaram ao Supremo, mas apenas dois prosperaram. A via mais comum é provocação por parte da Procuradoria-Geral da República, não da PF, o que reforça a alegação de irregularidade processual feita pelo gabinete.
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