Professor brasileiro preso nos EUA por tiro perto de sinagoga
Professor brasileiro preso nos EUA por tiro perto de sinagoga – Carlos Portugal Gouvêa, 47 anos, foi detido pelas autoridades de imigração norte-americanas na quarta-feira (3) depois de ter o visto de trabalho revogado.
O cancelamento ocorreu porque, na véspera, ele disparou uma arma de pressão nas proximidades de uma sinagoga em Brookline, cidade da região metropolitana de Boston, Massachusetts.
Como ocorreu o disparo
Segundo a polícia local, Gouvêa conduzia um veículo quando teria sacado a carabina de pressão e efetuado um único disparo em direção a uma área arborizada que cerca o templo judaico.
Ninguém ficou ferido, mas o barulho provocou pânico na comunidade, já sensível a episódios de violência antissemita. Nos Estados Unidos, crimes de ódio contra judeus cresceram 37% em 2023, de acordo com relatório do FBI, reforçando a preocupação das autoridades.
Visto cancelado e situação judicial
Depois de ouvido pela polícia estadual, o brasileiro foi entregue ao serviço de imigração (ICE), que constatou a infração do visto e determinou a prisão administrativa.
Uma audiência migratória definirá se ele será deportado ou poderá responder em liberdade sob fiança. A defesa alega que o disparo não tinha motivação religiosa e que a arma não era letal.
Possíveis enquadramentos criminais
No estado de Massachusetts, portar armas de ar comprimido em locais públicos pode resultar em multa e até dois anos de prisão. Procurada, a promotoria informou que avalia abrir processo por conduta imprudente com risco de lesão.
No Brasil, o uso de armas de airsoft ou pressão também é regulado. Para contextualizar, estudo do Atlas da Violência aponta que 70% das mortes violentas no país são causadas por armas de fogo, indicando a relevância do debate sobre regulamentação.

A defesa de Gouvêa, que lecionava direito em uma universidade de Boston, disse que ele não possui antecedentes criminais nem no Brasil nem nos EUA.
O consulado brasileiro acompanha o caso, mas lembra que a decisão final sobre permanência ou deportação cabe ao tribunal de imigração norte-americano.
No Brasil, a família aguarda a conclusão da audiência. Enquanto isso, o professor permanece detido em um centro federal na cidade de Burlington.
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Crédito da imagem: Divulgação
