Policial que matou companheira segue preso no Eusébio
Policial que matou companheira permanece detido após a Justiça converter o flagrante em prisão preventiva durante audiência de custódia realizada na última sexta-feira (5 de dezembro), em Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza.
O soldado Joaquim Filho é acusado de assassinar a ex-companheira, a soldado Larissa Gomes, de 26 anos, durante uma discussão ocorrida dois dias antes, no município do Eusébio.
Decisão da audiência de custódia
Conduzida pelo 7º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias, a sessão manteve o militar recolhido no Presídio Militar. O processo tramita em segredo de Justiça, conforme nota do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
Segundo a Polícia Militar, Joaquim recebeu alta médica depois de ter sido ferido na perna e foi autuado por feminicídio e crime militar — por se tratar de agressão entre servidores da ativa. As duas armas usadas na troca de tiros, pertencentes à corporação, foram apreendidas.
Histórico de violência registrado
Familiares e amigos relatam que o relacionamento, iniciado há quatro anos, era marcado por agressões. Coronhadas, disparos dentro de casa e ameaças foram registrados antes do episódio fatal. Larissa, mãe de três crianças, chegou a fotografar ferimentos e enviar áudios a amigas relatando as agressões.
O assassinato soma-se a uma triste estatística nacional: de acordo com o Atlas da Violência, o Brasil registrou mais de 1,4 mil feminicídios em 2023, média de quatro casos por dia. Entre as vítimas, cerca de 65% foram mortas por parceiros ou ex-parceiros.
Próximos passos da investigação
Com o inquérito agora sob responsabilidade da Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar e Disciplina, testemunhas continuam sendo ouvidas. A defesa do soldado deve solicitar exames periciais complementares e poderá pedir reconstituição do crime.

Especialistas em segurança pública apontam que casos envolvendo agentes armados reforçam a necessidade de protocolos internos de prevenção e acolhimento a vítimas, inclusive dentro das corporações.
O crime também reacende o debate sobre o controle de armas institucionais fora do expediente e políticas de apoio psicológico aos policiais militares cearenses.
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Crédito da imagem: Divulgação
