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quinta-feira, março 19, 2026

Tabuleiro do Norte: líquido com traços de petróleo a 11 km

Tabuleiro do Norte: líquido com traços de petróleo a 11 km

Tabuleiro do Norte (CE) – Pesquisadores do Instituto Federal do Ceará (IFCE) investigam uma substância viscosa encontrada por agricultores em um poço de 40 metros no Sítio Santo Estevão, em dezembro de 2024, que apresenta propriedades físico‑químicas semelhantes ao petróleo extraído na Bacia Potiguar; a Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi notificada e ainda não respondeu.

  • Em resumo: amostra analisada pelo IFCE e pela Ufersa indica mistura de hidrocarbonetos parecida com petróleo onshore da Bacia Potiguar; o local fica a 11 km do bloco mais próximo.

Entenda o achado e os laudos

A família do agricultor Sidrônio Moreira encontrou, ao perfurar em busca de água, um líquido escuro, viscoso e com odor semelhante a óleo automotivo.

O IFCE encaminhou amostra ao Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Ufersa, em Mossoró (RN), que constatou uma “mistura de hidrocarbonetos muito característica, com propriedades muito similares ao petróleo da região onshore da Bacia Potiguar”. Em seguida, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) foi comunicada para análise oficial.

“Conseguimos perceber que realmente se tratava de uma mistura de hidrocarbonetos […] com propriedades muito similares ao petróleo da região onshore da Bacia Potiguar.” — Adriano Lima, engenheiro químico do IFCE

Contexto, risco e o que vem pela frente

O fato coloca duas frentes de impacto: a possibilidade geológica de hidrocarbonetos na região e o risco ambiental local. O terreno onde foi feito o poço não está em bloco de exploração, mas fica a cerca de 11 quilômetros de um bloco licenciado na Bacia Potiguar.

Mesmo com laudo indicativo, somente um laboratório credenciado pela ANP pode confirmar se a substância é petróleo e se existe jazida economicamente viável. O processo de investigação, delimitação e eventual leilão de blocos pode levar anos, dependendo de estudos geológicos, viabilidade econômica e licenciamento ambiental — etapas reguladas pela própria ANP.

Além disso, autoridades e pesquisadores alertam para o risco de contaminação do lençol freático caso intervenções sejam feitas sem equipamentos e protocolos técnicos, especialmente numa região que enfrenta escassez de água.

O que você acha? Deve a presença de um possível hidrocarboneto priorizar estudos na área mesmo em meio à crise hídrica? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / IFCE

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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