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segunda-feira, março 9, 2026

Poço para água vira jazida de petróleo e endivida família

Poço para água vira jazida de petróleo e endivida família

Tabuleiro do Norte (CE) – A perfuração que o agricultor Sidrônio Moreira fez para saciar a seca virou um impasse bilionário: em vez de água, brotou um líquido com cheiro e densidade de petróleo. Desde novembro de 2024, a família vive entre a esperança de riqueza e a preocupação com dívidas que já consomem aposentadoria e empréstimos.

  • Em resumo: Dois poços, 40 m de profundidade e nenhum litro de água — apenas um óleo que aguarda confirmação oficial da ANP.

Por que o óleo surpreendeu especialistas

O material foi analisado por equipes do IFCE e da Ufersa, que garantem similaridade com o petróleo da Bacia Potiguar, segundo dados do IBGE. A jazida estaria a apenas 11 km de um bloco licitado para exploração, detalhe que alimenta o interesse técnico e acende sinal de alerta ambiental.

Para ter validade comercial, porém, a substância precisa do laudo de um laboratório credenciado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O órgão abriu procedimento administrativo apenas em 25 de fevereiro, mais de oito meses após ser provocado.

“Percebemos uma mistura de hidrocarbonetos muito característica, quase idêntica ao petróleo onshore da região”, afirma o engenheiro químico Adriano Lima, do IFCE.

Próximos passos e riscos para o agricultor

Enquanto aguarda a resposta oficial, Sidrônio mantém os poços lacrados para evitar contaminação do lençol freático — orientação prevista na Lei 9.478/1997, que atribui à União a propriedade do petróleo e define regras rígidas de segurança. Perfurações amadoras poderiam vazar óleo e inviabilizar o solo, alerta o IFCE.

A família, que já desembolsou economias e empréstimos para abrir os dois poços, agora gasta com caminhões-pipa. Segundo o último levantamento do IBGE, o Vale do Jaguaribe tem 52 % de suas propriedades rurais dependentes desse tipo de abastecimento na estiagem, cenário que explica a urgência do agricultor.

O que você acha? A possível riqueza do subsolo deve priorizar a comunidade local ou seguir direto para grandes empresas? Para acompanhar outras histórias do Ceará, visite nossa editoria regional.


Crédito da imagem: Divulgação / IFCE

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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