Filhote de baleia de 3 m morre encalhado; necropsia choca
FORTIM/CE – Um filhote de baleia-piloto-de-peitorais-curtas de 2,74 m e cerca de 200 kg foi encontrado agonizando na Praia das Agulhas no último sábado (7). Apesar da mobilização de pescadores e da ONG Aquasis, o animal não sobreviveu, reacendendo o alerta para o número crescente de encalhes na costa cearense.
- Em resumo: Equipe de resgate atuou por uma hora, mas a baleia morreu; necropsia apontou infecção generalizada.
Do resgate à perda: o que aconteceu em minutos
Segundo a Aquasis, frequentadores enviaram fotos e vídeos e receberam, por telefone, instruções para não recolocar o mamífero no mar – procedimento padrão que evita novo estresse ou afogamento. Quando os biólogos chegaram, o filhote já apresentava grave dificuldade de equilíbrio e pouca resposta aos estímulos.
A necropsia, realizada ainda na noite de sábado, confirmou “lesões multissistêmicas de origem infecciosa e parasitária”, quadro que explica a rápida piora, conforme relatório preliminar divulgado pela instituição.
“O estado clínico comprometido inviabilizou qualquer chance de reabilitação”, informou a Aquasis.
Por que os encalhes se repetem na costa do NE?
O litoral do Ceará faz parte de um corredor de migração de diversas espécies de cetáceos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o Estado possui 573 km de costa exposta a intensa atividade pesqueira e turística, fatores que aumentam o risco de colisões ou ingestão de resíduos.
Relatório do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia Potiguar registra, apenas em 2023, 68 ocorrências envolvendo mamíferos marinhos entre o Rio Grande do Norte e o Ceará. Especialistas lembram que, apesar da Lei 7.643/87 proibir a caça às baleias no Brasil, a contaminação por plásticos, infecções e mudanças climáticas permanecem como ameaças diretas.

O corpo do filhote permanecerá sob custódia científica para análises toxicológicas. Esses resultados alimentam bancos de dados nacionais que orientam políticas de conservação e auxiliam a entender os impactos da atividade humana nos oceanos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Aquasis
