Capitão da PM que sufocou mulher é liberado sem flagrante
FORTALEZA/CE – Na noite da última sexta-feira (6), câmeras da Praça da Bandeira registraram o capitão da reserva da Polícia Militar Francisco Wellington Alves de Lima agredindo e tentando asfixiar uma mulher; mesmo levado à Delegacia da Defesa da Mulher, ele deixou o local poucas horas depois sem que fosse lavrado o flagrante.
- Em resumo: agressão filmada, tentativa de fuga contida e liberação que revoltou especialistas.
Vídeo chocante e fuga frustrada
Operadores do Centro de Comando e Controle identificaram, em tempo real, tapas, chutes e a tentativa de sufocamento praticados pelo oficial da reserva. As imagens, exibidas pela Band na manhã seguinte, mostram o momento em que guardas municipais chegam e impedem a fuga do suspeito.
A Guarda Municipal afirma ter feito a prisão em flagrante, mas a documentação não foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Ceará. Já a Polícia Militar destacou em nota que “não compactua com desvios de conduta” e acompanha a apuração interna.
“A identificação da vítima é indispensável para a correta caracterização do vínculo entre as partes”, justificou a Polícia Civil ao explicar por que não manteve o oficial detido.
Por que não houve flagrante?
Segundo a Lei Maria da Penha (11.340/2006), violência doméstica é crime inafiançável. No entanto, a autoridade plantonista alegou que a mulher não foi identificada naquela noite, fator que teria impedido a autuação. Especialistas lembram que o artigo 7º da lei reconhece a agressão física como suficiente para caracterizar risco imediato, independentemente de laços formais.
Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o Ceará registrou aumento de 18 % nas denúncias de lesão corporal contra mulheres em 2023, reforçando a necessidade de resposta rápida das instituições.

Fontes do Ministério Público avaliam que o inquérito instaurado “por portaria” poderá evoluir para denúncia de lesão corporal grave e tentativa de homicídio, já que a asfixia é classificada como meio cruel no Código Penal.
O caso reacende o debate sobre tratamento diferenciado a agentes de segurança: de 85 policiais investigados por violência doméstica no estado nos últimos cinco anos, apenas 12 foram presos preventivamente, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.
O que você acha? A liberação sem flagrante reforça a sensação de impunidade ou seguiu a lei? Para mais detalhes, acesse nossa editoria de Segurança.
Crédito da imagem: Divulgação / Guarda Municipal de Fortaleza
