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Facção bancava campanha: PF prende presidente da Câmara e 4
Morada Nova, CE – Na última quinta-feira (12), a Polícia Federal desencadeou a Operação Traitori e prendeu o presidente da Câmara Municipal, dois colegas de plenário e um secretário da gestão, todos suspeitos de usar dinheiro do tráfico para turbinar as eleições municipais de 2024.
- Em resumo: 16 mandados foram cumpridos; cinco agentes públicos acabaram atrás das grades.
Como funcionava o suposto esquema
De acordo com os investigadores, quantias oriundas do comércio de drogas eram lavadas em empresas de fachada antes de irrigar campanhas políticas. O padrão segue o que estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública descrevem como “captura territorial” – quando facções trocam apoio financeiro por influência em prefeituras e câmaras.
Foram presos Hilmar Sérgio, Gleide Rabelo (ambos do PT), Regis Rumão (PP), além do ex-presidente da Câmara e atual superintendente da Sohidra, Marco Bica, e do secretário de Administração, Júnior do Dedé. Buscas ocorreram na sede do Legislativo, residências e empresas ligadas ao grupo.
“A investigação revelou a infiltração do crime organizado na esfera pública para financiar campanhas em 2024”, destacou a PF.
Risco político e legal para 2024
A lavagem de capitais, tipificada na Lei 9.613/1998, prevê pena de até 10 anos. Já o financiamento ilícito de campanha, segundo a Lei Eleitoral 9.504/1997, pode levar à cassação de registro e inelegibilidade por oito anos. Em 2022, o Atlas da Violência já alertava para a crescente participação de facções em disputas locais, fator que pressiona a Justiça Eleitoral a apertar a fiscalização em 2024.

Especialistas lembram que o Ceará ocupa o 4º lugar no ranking nacional de homicídios, cenário que facilita a barganha de grupos armados com candidaturas de baixo custo. O Tribunal Regional Eleitoral deve analisar, nos próximos dias, possíveis pedidos de suspensão dos mandatos, enquanto a Câmara Municipal corre contra o relógio para não paralisar votações essenciais ao orçamento do próximo ano.
O que você acha? Operações como essa são suficientes para blindar as urnas de 2024? Para mais detalhes, acesse nossa editoria de Segurança.
Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Federal
