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R$ 200 mil e jatos de Safadão: PF liga deputado a suposta propina
Fortaleza/CE – Um relatório da Polícia Federal expõe conversas que, segundo os investigadores, conectam o deputado federal Júnior Mano (PSB) a um esquema de desvio de emendas parlamentares, com pedidos de patrocínio e até liberação de aeronaves pertencentes ao cantor Wesley Safadão.
- Em resumo: Deputado pediu R$ 200 mil à BetVip e acesso a dois aviões do artista durante a campanha.
Como a suposta propina foi negociada
As mensagens periciadas indicam que o pedido de R$ 200 mil ocorreu dias depois de a Prefeitura de Nova Russas – comandada pela esposa de Mano – contratar Safadão por R$ 900 mil para o Festeja 2024. Para a PF, o patrocínio seria “devolução” de parte do cachê, prática típica de lavagem de dinheiro em contratos públicos.
Em outro trecho, o parlamentar solicita ao ministro dos Portos e Aeroportos a liberação, junto à Anac, de duas aeronaves do cantor para viajar “sem ter de rodar de carro” durante a eleição municipal.
“O relacionamento próximo não se limitou a fotografias: transbordou para a gestão concreta de interesses”, registra o relatório da PF.
Rede de prefeituras e cifras milionárias
O documento também atribui ao ex-prefeito Bebeto Queiroz a função de operar emendas que alcançaram 71 prefeituras cearenses. Nove empresas listadas receberam R$ 455,5 milhões entre 2023 e 2025, informa a Controladoria-Geral da União.
Fraudes em licitações e compra de votos compõem o rol de crimes sob apuração, que incluem lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, desvios em convênios municipais representam uma das principais portas de entrada para o financiamento irregular de campanhas no país.

Embora Safadão e seus familiares não sejam investigados, a PF ressalta que a proximidade entre as agendas de shows e as demandas políticas “cria ambiente propício a vantagens indevidas”. Em nota, o cantor negou envolvimento político e classificou o pedido de patrocínio como “comum no setor de eventos”. Já o deputado sustenta que não controla a execução das emendas e alega vazamento seletivo em ano eleitoral.
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Crédito da imagem: Divulgação / Câmara dos Deputados
