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quarta-feira, março 18, 2026

Possível petróleo em poço no CE pode render 1% ao dono

Possível petróleo em poço no CE pode render 1% ao dono

Tabuleiro do Norte/CE – O jato preto que surpreendeu o agricultor Sidrônio Moreira, 63, ao perfurar um poço raso para buscar água, virou caso oficial na Agência Nacional do Petróleo (ANP) e abriu debate: há chance real de lucro para o proprietário se a substância for, de fato, petróleo?

  • Em resumo: Constituição dá a posse do óleo à União, mas a lei prevê compensação de até 1% para o dono da superfície.

Quanto Sidrônio pode receber, na prática

Pela Constituição (art. 176) e pela Lei do Petróleo (9.478/97), todo bem mineral pertence à União. Se a análise comprovar reserva comercial e empresas assumirem a exploração, o agricultor passa a ter direito a uma participação concedida, que pode chegar a 1 % do valor da produção no campo, conforme a tabela oficial da ANP.

Para isso, o órgão ainda precisa demonstrar que o volume descoberto compensa o alto custo de extração. Em casos parecidos registrados no interior do Nordeste, poços rasos acabaram descartados por conter apenas bolsões residuais.

“O proprietário da terra não tem direito ao material, é propriedade da União”, frisou o técnico da ANP, Moisés Vieira, ao explicar o procedimento.

Por que o achado chamou tanta atenção

A substância emergiu a apenas 40 metros de profundidade—zona considerada “superficial” para a indústria de óleo e gás. Para efeito de comparação, os campos potiguares, a menos de 200 km em linha reta, operam entre 1.500 e 2.500 m.

Segundo o Atlas Brasileiro do Petróleo, o Ceará responde por menos de 0,2 % da produção nacional. Mesmo assim, o Estado recebeu R$ 111,3 milhões em royalties em 2023, de acordo com dados consolidados pelo Tesouro. Caso o poço de Sidrônio gerasse receita semelhante, ele poderia embolsar quantias de quatro a cinco dígitos anuais, a depender do volume extraído.

Próximos passos da investigação

A equipe do Instituto Federal do Ceará coletou amostras vedadas que já seguiram para laboratório. O laudo químico—sem data divulgada—precisará apontar a proporção de hidrocarbonetos, contaminantes e pressão do reservatório. Só então a ANP decide se abre licitação para exploração testada por empresas habilitadas.

Enquanto isso, a agência mantém a área isolada, proibindo visitas curiosas e recomendando que a família suspenda qualquer utilização do poço, inclusive para irrigação, por risco ambiental.

O que você acha? É justo o proprietário receber apenas 1 % em descobertas como essa? Para acompanhar outros assuntos do Estado, acesse nossa editoria do Ceará.


Crédito da imagem: Divulgação / g1

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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