Prefeito eleito some após PF ligar R$455 mi a esquema no CE
FORTALEZA/CE – Foragido desde dezembro de 2024, o prefeito eleito e cassado de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), permanece longe dos radares mesmo após a Polícia Federal atribuir a ele a liderança de um suposto esquema que movimentou R$ 455,5 milhões em licitações fraudadas e emendas parlamentares até janeiro de 2026.
- Em resumo: Bebeto é alvo de mandado de prisão nacional e, segundo a PF, comandava rede que cobrava “taxa” de até 15% sobre verbas públicas.
Como funcionava a engrenagem de bilhões em verbas
De acordo com relatório sigiloso a que o g1 teve acesso, o ex-prefeito articulava, junto do deputado federal Júnior Mano, a destinação de emendas para prefeituras alinhadas politicamente. Em troca, empresas ligadas ao grupo venciam licitações de abastecimento e outros serviços, repassando entre 12% e 15% dos valores ao bloco criminoso.
A Controladoria-Geral da União detectou que nove dessas empresas receberam R$ 455,5 milhões de 71 prefeituras cearenses em apenas dois anos. Para especialistas em gestão pública, o modelo se enquadra no chamado “triangulação de emendas”, prática que dificulta o rastreio de recursos e que já motivou recomendações de controle do Tribunal de Contas da União.
“A evasão de Bebeto reforça a hipótese de obstrução e consolida sua posição de liderança na organização criminosa”, aponta a PF no documento.
Impacto político e financeiro além de Choró
O desaparecimento ocorre em ano pré-eleitoral e acirra a disputa no interior cearense. Choró precisou realizar nova eleição em 1º de março de 2026, depois que a Justiça Eleitoral cassou a chapa de Bebeto. Outros 50 municípios que teriam recebido apoio do esquema agora podem ter contratos revisados.
Irregularidades em licitações não são exclusividade do caso: levantamento de 2023 do TCU estimou prejuízo superior a R$ 9 bilhões ao país por falhas semelhantes. Para pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, fraudes desse tipo drenam recursos que poderiam fortalecer saúde e educação básicas, áreas nas quais o Ceará ainda busca avançar nos indicadores do IDEB.

A defesa de Bebeto afirma que só se pronunciará nos autos. Já o deputado Júnior Mano nega envolvimento e critica o “vazamento seletivo” de informações às vésperas das convenções partidárias.
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