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Apenas 7% concluem; aluna Down faz história na Urca
Crato/CE – Em uma colação de grau que emocionou o Cariri, a artista visual Cecília Noêmi, 33 anos, tornou-se recentemente a primeira estudante com síndrome de Down a se formar pela Universidade Regional do Cariri (Urca). O feito expõe as barreiras que ainda separam pessoas com deficiência do diploma universitário – e como apoio familiar, políticas de inclusão e persistência podem mudá-las.
- Em resumo: Apenas 7,4% das pessoas com deficiência concluem o ensino superior no Brasil; Cecília agora faz parte desse grupo restrito.
Como o apoio familiar turbinou a conquista
Desde a infância em Crato, Cecília teve acompanhamento de terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. Quando surgiu o interesse pela pintura e pela dança, os pais transformaram a casa numa pequena galeria, enchendo paredes com cores e movimentos criados por ela.
Esse ambiente estimulante foi potencializado no campus pela atuação do Núcleo de Acessibilidade da Urca, composto por pedagogos, educadores físicos e professores de áreas diversas. A equipe adaptou avaliações e metodologias, seguindo recomendações baseadas em dados do Inep sobre permanência de alunos com deficiência no ensino superior.
“Uma vez tendo acesso e acompanhamento, elas são completamente capazes de desenvolver tudo o que precisa ser feito na profissão que escolherem”, afirmou a vice-reitora Socorro Vieira.
Lei de Cotas e números que explicam a raridade
Segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE, 63,1% das pessoas com deficiência acima de 25 anos não concluíram nem o ensino fundamental; chegar ao diploma universitário é exceção. A brecha começou a ser enfrentada em 2016, quando a Lei nº 13.409 incluiu pessoas com deficiência nas cotas de universidades federais. Foi por essa reserva que Cecília ingressou no curso de Artes Visuais em 2020.

Especialistas lembram que, além de ofertar a vaga, a instituição precisa garantir acessibilidade ativa: intérpretes, material adaptado e tutoria individual. Sem esse pacote, a evasão costuma ultrapassar 40% nos primeiros semestres, apontam relatórios do MEC.
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Crédito da imagem: Divulgação
