Repórter filma ladrão saindo de prédio condenado em Fortaleza
FORTALEZA (CE) – Durante transmissão ao vivo, uma equipe da TV Verdes Mares registrou o momento em que um homem deixou o edifício Saint Patricks II, interditado desde 2013, carregando uma sacola com possíveis objetos furtados. A cena, exibida no CETV 1ª Edição do último sábado (21), escancarou a vulnerabilidade do imóvel de 13 andares e o temor crescente da vizinhança.
- Em resumo: invasor ignorou grades, câmeras e saiu tranquilamente pela rua Andrade Furtado.
Flagra que expôs a rotina de furtos
O repórter Arnaldo Araújo e o cinegrafista Benjamin Lopes descreviam a deterioração do prédio quando o suspeito simplesmente pulou o portão, diante da lente, e seguiu caminhando. A apresentadora Marcella de Lima classificou a ação como “sensação de impunidade”.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Ceará registrou mais de 55 mil furtos em 2022 — cerca de 151 por dia — índice que alimenta a percepção de risco em áreas com edifícios abandonados.
“É um prédio que está se deteriorando mês a mês. Meliantes quebram cerca elétrica, portão e trazem riscos para a comunidade”, relatou o síndico profissional Ednilson Andrade.
Por que o prédio continua de pé?
Erguido há quatro décadas, o Saint Patricks II foi evacuado após laudo da Defesa Civil apontar risco de desabamento. Em 2019, a Justiça autorizou a demolição, mas a oposição de dois condôminos paralisou o processo: a lei municipal exige unanimidade ou nova ordem judicial para derrubada.
Enquanto a disputa se arrasta, moradores relatam incêndios, brigas com faca e furtos de ferros, fios e grades. A Polícia Militar afirma manter rondas, mas reforça que “imóveis desocupados exigem segurança patrimonial dos responsáveis”. Medidas como concreto na garagem e arame farpado não intimidam os invasores.

Especialistas em urbanismo lembram que construções condenadas funcionam como “ilhas de abandono” e podem desvalorizar imóveis vizinhos em até 30%. Capitais como Recife e São Paulo já aplicam multas progressivas a proprietários que não garantem uso seguro, alternativa que ainda não saiu do papel em Fortaleza.
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Crédito da imagem: Divulgação / TV Verdes Mares
