Facção ordena morte de secretário após recusar frear PM
São Luís do Curu/CE – A execução do secretário de Administração, Ricardo Abreu Barroso, na manhã da última quinta-feira (19), veio depois de meses de ameaças feitas por uma liderança do Comando Vermelho que exigia o afastamento da Polícia Militar da cidade, segundo relatos da família à Polícia Civil.
- Em resumo: faccionado foragido no RJ mandou matar o secretário após a morte do irmão em intervenção policial.
Como a pressão criminosa escalou
De acordo com o inquérito, Wesley Pereira Balbino, o “Guaxinim”, orquestrou o crime à distância. Entre 2024 e 2025, seus subordinados foram presos, o que ele atribuiu à influência política de Ricardo sobre o Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio). Imagens exibidas pela Band mostram o momento em que dois pistoleiros invadem o depósito de construção da vítima e disparam vários tiros.
A escalada de intimidações começou ainda na campanha de 2024, quando o carro do secretário foi alvo de disparos. Em agosto de 2025, a fachada da casa do filho dele, vereador Júnior Abreu, também foi metralhada. Mesmo assim, a família temia registrar boletins de ocorrência.
“Se o Raio não sair da cidade, os tiros serão em vocês”, ameaçou “Guaxinim” por mensagem, segundo depoimento do filho do secretário.
Reação oficial e o efeito dominó na segurança local
A morte do irmão de Wesley, Uesclei “Gringo”, em 12 de março, teria sido o estopim. Cinco dias depois, duas jovens – Laila Aparecida, 18, e Gleiciane Diniz, 24 – começaram a vigiar Ricardo e repassaram sua localização aos atiradores. Ambas foram presas em Caucaia, e suas prisões em flagrante viraram preventivas.
O caso exemplifica um fenômeno em ascensão: segundo dados do Atlas da Violência 2026, cidades com menos de 50 mil habitantes já concentram 30% dos homicídios ligados a facções no Nordeste, um salto de 12 pontos em cinco anos. Especialistas alertam que o vácuo de políticas preventivas e o baixo efetivo policial fora das capitais facilitam a migração do crime organizado para o interior.

No plano político, a perda de Ricardo – que foi vereador duas vezes e era tio do prefeito Tiago Abreu – expõe o risco adicional para agentes públicos que se negam a ceder a pressões criminosas. A Secretaria da Segurança Pública afirma reforçar o patrulhamento e busca capturar “Guaxinim”, foragido no Rio de Janeiro.
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Crédito da imagem: Divulgação
