Reviravolta na CPMI do INSS: governistas enterram relatório
Brasília – Em sessão marcada por trocas de acusações, aliados do Planalto derrubaram nesta quarta-feira (25) o relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, mas não conseguiram votar um texto alternativo, deixando o inquérito sem conclusão imediata.
- Em resumo: Relatório oficial caiu; proposta governista ficou sem análise e reunião terminou sob protestos.
Como a sessão saiu do controle
O documento rejeitado, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), pedia indiciamentos por supostas fraudes em benefícios previdenciários. Quando a base governista conseguiu votos para barrá-lo, tentou colocar em pauta um parecer substitutivo, mas o presidente da CPMI encerrou a reunião alegando “falta de clima”.
Segundo o Regimento Comum do Congresso, a comissão pode ser prorrogada por 60 dias, mas depende de acordo de líderes. Nos últimos cinco anos, fraudes previdenciárias causaram um prejuízo estimado em R$ 5,6 bilhões, de acordo com dados do próprio Ministério da Previdência Social.
“É inaceitável sufocar a investigação no momento crucial”, protestou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) antes de abandonar o plenário.
Por que o impasse preocupa o contribuinte
Sem relatório, recomendações para reforçar auditorias no INSS e endurecer penas contra fraudadores ficam suspensas. O rombo pode crescer: o Atlas da Previdência mostra que a cada R$ 1 recuperado, R$ 4 ainda escapam do radar fiscalizador.

Especialistas lembram que fraudes pressionam o déficit previdenciário, que fechou 2025 em R$ 293 bilhões. Caso a CPMI não retome os trabalhos, qualquer mudança dependerá de projetos isolados no Congresso, processo mais lento e sujeito a barganhas políticas.
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