Granada militar e rajadas de fuzil aterrorizam Boa Viagem
Boa Viagem/CE – Na madrugada de 29 de março, moradores do bairro Recreio acordaram sob rajadas de fuzil 5.56 e viram uma granada militar largada na rua, episódio que expõe a escalada de violência entre facções rivais no interior do Ceará.
- Em resumo: Bope detonou o explosivo enquanto a PM recolheu cápsulas de fuzil; ninguém foi preso.
Como foi o ataque e a reação policial
Segundo testemunhas, criminosos em duas motocicletas dispararam várias vezes contra uma casa na Rua Flores Bela Vieira de Andrade. Antes de fugir, o grupo deixou a granada no asfalto. A Polícia Militar isolou a área e solicitou o esquadrão antibombas do Bope, que veio de Fortaleza e neutralizou o artefato em procedimento controlado.
O armamento pesado preocupa: apenas forças oficiais utilizam granadas de uso restrito. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam aumento de 18% nos crimes envolvendo explosivos no Nordeste em 2023.
“Era uma granada militar intacta; se explodisse, atingiria toda a quadra”, relatou um agente do Bope que participou da operação.
Disputa PCC x CV eleva tensão na cidade
O Recreio virou fronteira de guerra. Investigações indicam que o bairro é dominado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), mas sofreu incursões recentes do Comando Vermelho (CV). O ataque deste domingo reforça a tentativa de avanço da facção carioca.
Boa Viagem, a 212 km de Fortaleza, registrou sete confrontos armados em 2024, segundo relatório interno da PM. Para especialistas, o uso de granadas marca uma etapa mais letal da disputa, comum em capitais, mas rara em cidades de porte médio.

Em todo o Ceará, 3.621 ocorrências com artefatos explosivos foram notificadas entre 2019 e 2023, quase o dobro da média da década passada, reflexo da expansão do crime organizado e da rota de armamento que cruza o sertão em direção aos portos.
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