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terça-feira, março 31, 2026

IA alterada em julgamento da Chacina do Curió põe advogado na mira

IA alterada em julgamento da Chacina do Curió põe advogado na mira

Fortaleza/CE – A Polícia Civil do Ceará abriu inquérito para apurar se um advogado distorceu, com Inteligência Artificial, uma foto de câmera de segurança apresentada na sessão de 2025 que julgou a Chacina do Curió, massacre que deixou 11 mortos em 2015.

  • Em resumo: perícia oficial comparou a imagem editada e encontrou divergências em faróis, logomarca e rodas, sinalizando fraude processual.

Como a suposta manipulação veio à tona

Três dias antes do júri popular, o advogado anexou aos autos uma versão “nítida” de um frame de 2016 que, segundo ele, provaria que o carro flagrado não era um Toyota Etios, mas um Chevrolet Cobalt. Na tréplica, afirmou ter “jogado o arquivo no Gemini” — ferramenta de IA — para “descrever com máxima realidade” o veículo.

A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) sobrepôs o novo arquivo ao original e apontou “grandes divergências” que extrapolam tratamento digital: posição de pixels, dimensões e até a logomarca foram alteradas. O Ministério Público do Ceará requisitou a investigação por fraude processual, crime punido com até cinco anos de reclusão.

“Isso daqui foi jogado no Gemini, inteligência artificial, e foi dado na engenharia de prompt um comando pedindo para deixar realista… O resultado que dá? Um Cobalt”, declarou o advogado perante o júri.

Por que o caso preocupa especialistas

O episódio ocorre num momento em que tribunais debatem a admissibilidade de provas geradas por IA. Em 2023, o Brasil registrou 47,5 mil homicídios, segundo o Atlas da Violência, e processos de crimes contra a vida dependem fortemente de evidências audiovisuais confiáveis.

Grupos de direitos humanos temem que falsificações sofisticadas prejudiquem a responsabilização de agentes públicos: até agora, dos 29 policiais julgados pela Chacina do Curió, 8 foram condenados e 21 absolvidos, após mais de 330 horas de sessões.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE) informou não ter sido notificada sobre o inquérito. Já o Ministério Público “aguarda a distribuição dos autos” para se manifestar. O nome do defensor investigado segue preservado, pois não houve indiciamento.

O que você acha? Você confia nas evidências geradas por Inteligência Artificial nos tribunais? Para acompanhar outros casos de impacto na segurança pública, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Sara Parente/TJ-CE

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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