Barra do Ceará: onde Fortaleza nasceu e aviões pousavam no rio
FORTALEZA/CE – Ícone do pôr do sol e segundo bairro mais populoso da capital, a Barra do Ceará reivindica o título de verdadeiro marco zero de Fortaleza e ainda carrega a memória de ter servido de pista para hidroaviões na década de 1930.
- Em resumo: Ruínas do primeiro forte português e antigo hidroporto colocam o bairro no centro do debate sobre o nascimento da cidade.
Do Forte de Santiago ao debate sobre o “ano 422”
Erguido em 1604 nas margens do rio Ceará, o Forte de Santiago — também citado como São Tiago — seria, para parte dos historiadores, o ponto inicial da capital. Caso essa tese prevaleça, Fortaleza completaria 422 anos em 2026, e não os 300 celebrados oficialmente.
À época, o açoriano Pero Coelho fincou o marco para fundar a capitania, inspirado em relatos de Vicente Pinzón sobre o estuário. Décadas depois, Martim Soares Moreno reconstruiu o forte e instalou ali a primeira câmara de vereadores em 1701, evidenciando a atividade econômica da região.
“O passageiro mais famoso do hidroporto foi o escritor Antoine de Saint-Exupéry, em 1932”, relatam moradores.
Hidroaviões, turismo e desafios sociais
Entre 1929 e 1939, as águas calmas do rio Ceará funcionaram como terminal da Panair do Brasil S/A, atraindo pioneiros da aviação. O legado ainda ecoa nos passeios ecológicos que hoje movimentam a economia local, contrastando com o Índice de Desenvolvimento Humano inferior a 0,500 registrado na Regional 1.

Mesmo assim, o bairro responde por 20% dos 323 mil habitantes da Regional, segundo dados do IBGE, e mantém viva a tradição de festejar o aniversário da cidade em julho, sinal de uma identidade que valoriza a resistência cultural.
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Crédito da imagem: Divulgação / Nilton Alves/SVM
