Verdes britânicos querem romper elo de 500 anos coroa-igreja
Londres, Reino Unido – O Partido Verde da Inglaterra avisou que, se chegar ao poder nas eleições gerais previstas até agosto de 2029, apresentará um projeto para retirar da Coroa o título de governadora suprema da Igreja da Inglaterra, efetivando a total separação entre Estado e religião – algo que não ocorre desde 1534.
- Em resumo: sigla promete colocar fim à autoridade religiosa do monarca, alterando tradição iniciada por Henrique VIII.
Por que a proposta chama atenção agora
A união entre trono e altar sobreviveu a guerras civis, reformas legais e até ao declínio da prática religiosa no país. Mesmo assim, o Green Party acredita que “a modernização constitucional passa, obrigatoriamente, pela laicidade”, conforme comunicado divulgado nesta semana.
Pesquisas do instituto YouGov apontam que 53 % dos britânicos já defendem algum grau de desestabelecimento, número que salta para 62 % entre os jovens de 18 a 24 anos.
“É um anacronismo do século XVI que não reflete a diversidade religiosa do Reino Unido em 2024”, diz a nota dos Verdes.
Contexto histórico e impacto esperado
A Igreja da Inglaterra tornou-se estatal com o Act of Supremacy de 1534, quando o rei Henrique VIII rompeu com Roma para legalizar seu divórcio. Desde então, o monarca nomeia bispos e arcebispos, e 26 deles têm assento garantido na Câmara dos Lordes, influenciando votações legislativas.
Especialistas da Universidade de Oxford lembram que, sem essa prerrogativa, a Câmara Alta perderia parte de sua composição religiosa, exigindo revisão do House of Lords Act. Já grupos anglicanos temem queda de receitas: dados oficiais mostram que 21 % das doações vêm de eventos estatais, como casamentos reais.

Além disso, a iniciativa abriria precedente para outras nações do Commonwealth discutirem a figura do rei como chefe de suas Igrejas Anglicanas locais, ampliando o debate constitucional iniciado pelo referendo australiano de 1999.
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