Condenado por fraude de €96 mil, chef é preso em Fortaleza
FORTALEZA/CE – Um mandado de prisão preventiva expedido pelo Supremo Tribunal Federal colocou fim à rotina glamourosa do chef italiano Fabio Mattiuzzo, que comandava restaurantes na capital cearense e agora aguarda extradição para cumprir mais de cinco anos de pena por falência fraudulenta em sua terra natal.
- Em resumo: Procurado pela Interpol desde 2025, Mattiuzzo desviou €96 mil de empresas que administrava na Itália.
De cozinhas estreladas à lista vermelha da Interpol
Reconhecido pelo público local por pratos franceses e italianos, Mattiuzzo passou por casas famosas na França, Suíça e Espanha antes de fincar raízes no Ceará em 2014. O mesmo currículo que o projetou também chamou atenção da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), referência em prevenção a fraudes, ao destacar casos de gestores que usam a posição para desviar recursos.
Segundo a Justiça italiana, entre 2009 e 2011 o chef liderava duas companhias que afundaram em dívidas depois que ele teria usado o caixa para cobrir despesas pessoais. Livros contábeis foram destruídos, dificultando o rastreio dos prejuízos.
“Os crimes não prescreveram e equivalem no Brasil a apropriação indébita e fraude a credores”, diz o despacho que embasou a ordem de prisão.
Extradição inevitável e impacto local
Com a ordem assinada pelo ministro Flávio Dino em 9 de março, a Polícia Federal efetuou a prisão em 13 de março. Fontes jurídicas indicam que, em média, extradições autorizadas pelo STF levam de seis a nove meses para serem concluídas, mas o histórico de cooperação Brasil–Itália tende a acelerar o trâmite.

O caso acende alerta para o setor gastronômico de Fortaleza, cuja expansão atrai profissionais estrangeiros: dados do Ministério do Trabalho apontam crescimento de 22% na emissão de vistos para chefs nos últimos três anos. Especialistas lembram que a checagem de antecedentes em bases internacionais é facultativa para estabelecimentos privados, deixando brechas como a que permitiu a atuação de Mattiuzzo.
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Crédito da imagem: Divulgação
