Chef de Fortaleza desviou €96 mil e pode ser extraditado já
Fortaleza/CE – Preso pela Polícia Federal desde 13 de março, o chef italiano Fabio Mattiuzzo aguarda a última assinatura do Supremo Tribunal Federal (STF) para ser entregue às autoridades da Itália, onde foi condenado por falência fraudulenta agravada.
- Em resumo: condenado a mais de 5 anos, Mattiuzzo precisa apenas do aval formal do STF para ser levado por agentes italianos.
Por que a pressa na extradição?
O ministro Flávio Dino expediu o mandado de prisão preventiva depois de a Polícia Civil do Ceará confirmar que o empresário constava na lista vermelha da Interpol desde junho de 2025. Quando o STF conclui que não há impedimentos legais, a chamada “extradição passiva” acontece em poucos dias: policiais estrangeiros desembarcam no Brasil, escoltam o réu e o levam direto ao país de origem.
Segundo a Lei de Migração (Lei 13.445/2017), o Brasil não analisa o mérito da condenação estrangeira; verifica apenas se o crime também existe aqui – o que ocorre, pois as fraudes atribuídas ao chef equivalem aos delitos de apropriação indébita e fraude a credores.
“Os fatos imputados não estão prescritos e superam o patamar mínimo para a extradição”, destacou o despacho de Flávio Dino.
Da alta gastronomia às cortes italianas
Mattiuzzo dirigiu duas empresas na província de Treviso entre 2009 e 2011. Os processos mostram que ele desviou pelo menos €96.000 para despesas pessoais e ocultou livros contábeis. Mesmo procurado, mudou-se para Fortaleza em 2014, onde tornou-se referência em pratos franceses e italianos em restaurantes de alto padrão na Aldeota.
O currículo lhe rendeu participações em jantares corporativos e eventos de turismo gastronômico. A prisão surpreendeu clientes fiéis e colegas de cozinha, que agora veem possível lacuna na agenda de restaurantes locais.

Extradições em alta e o alerta a estrangeiros
Relatórios do STF apontam aumento constante nos pedidos de extradição nos últimos anos, reflexo da integração de bancos de dados internacionais. A orientação da Polícia Federal é clara: residentes estrangeiros com pendências judiciais em seu país devem regularizar a situação antes de viajar ou trabalhar no Brasil.
Associações como a Febraban lembram que fraudes corporativas respondem por parcela significativa das perdas financeiras registradas anualmente no setor privado, reforçando a importância de mecanismos de compliance em empresas de todos os portes.
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Crédito da imagem: Divulgação / PMCE
