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quarta-feira, abril 8, 2026

Reabertura de Ormuz libera 20% do petróleo global após 39 dias

Reabertura de Ormuz libera 20% do petróleo global após 39 dias

Teerã, Irã – Sob pressão diplomática intensa, o governo iraniano confirmou um acordo com os Estados Unidos e autorizou, por duas semanas, a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, corredor por onde escoa 20% de todo o petróleo consumido no planeta. O bloqueio, que durou 39 dias em meio ao conflito regional, já havia alimentado uma escalada de preços e preocupado mercados em todos os continentes.

  • Em resumo: Corredor crucial ficará aberto por 14 dias; novo fechamento continua no horizonte.

Por que Ormuz é tão estratégico?

Com apenas 33 km em seu ponto mais estreito, Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, dali, ao Mar da Arábia. Segundo a plataforma de rastreamento marítimo Vortexa, entre 2022 e maio de 2025 passaram diariamente pelo local de 17,8 a 20,8 milhões de barris de petróleo bruto, condensado ou combustível. Entre os exportadores dependentes estão Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Irã e o Catar, maior fornecedor de gás natural liquefeito.

O fechamento recente expôs a fragilidade logística do Golfo, levando Arábia Saudita e Emirados Árabes a acelerar projetos de oleodutos terrestres que contornem o gargalo. A série histórica de preços monitorada pelo IBGE indica que os combustíveis subiram 6,3 % no Brasil durante o período de bloqueio, efeito que pode se ampliar se o corredor voltar a ser fechado.

“Cerca de um quinto de todo o consumo mundial de petróleo passa pelo estreito.” – Dados da Vortexa citados pelo G1

Impacto econômico e riscos de novo impasse

O choque de oferta já fez o barril do Brent superar US$ 96 na quarta semana de março, maior cotação desde 2024. A Administração de Informação de Energia dos EUA calcula que ainda existam 2,6 milhões de barris/dia de capacidade ociosa em oleodutos alternativos – volume insuficiente para cobrir uma paralisação prolongada.

Analistas lembram episódios como a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), quando ataques a petroleiros dispararam o frete marítimo e precipitaram recessões em países importadores. Hoje, com a economia global ainda absorvendo os choques da pandemia e das tensões na Ucrânia, um novo bloqueio em Ormuz pode pressionar ainda mais inflação e cadeias de suprimentos.

O que você acha? A reabertura temporária basta para estabilizar o mercado ou o risco permanece alto? Para mais análises internacionais, acesse nossa editoria de Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Arte g1

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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