PF investiga emendas no Ceará e cita bilhete manuscrito
PF investiga emendas no Ceará e cita bilhete manuscrito – Na última sexta-feira (12), a Polícia Federal anexou a um inquérito sobre desvio de emendas parlamentares um recado escrito à mão que sugere a troca de municípios beneficiados por recursos federais.
O bilhete foi apreendido na casa da ex-assessora da Câmara Mariângela Fialek, apontada pelos investigadores como operadora informal de verbas do chamado orçamento secreto.
Bilhete sugere realocação informal de recursos
Segundo a PF, a anotação mostra que repasses eram ajustados “à base da caneta”, sem trâmite oficial.
Para o ministro do STF Flávio Dino, que autorizou buscas no âmbito da Operação Transparência, a prática equivale a uma “conta de padaria” na gestão do dinheiro público, permitindo mudanças de destino sem critério técnico.
PF aponta controle paralelo do orçamento secreto
Depoimentos de quatro deputados e um senador relatam que listas de emendas chegavam prontas às comissões, sem identificação de autoria.
Dados da Polícia Civil do Ceará indicam que investigações sobre crimes contra a administração pública cresceram 12 % em 2023, reflexo do aumento de denúncias de fraudes em repasses federais.
O deputado cearense Júnior Mano, citado no documento, reiterou que apenas exerceu a prerrogativa de indicar emendas e negou irregularidades: “É proibido indicar emenda?”, questionou o parlamentar.
A Procuradoria-Geral da República defendeu medidas cautelares contra Fialek, afirmando que ela controlava indicações em benefício de organização criminosa voltada a desvio de verbas.

Entre 2020 e 2022, relatórios do Tribunal de Contas da União apontam que mais de R$ 53 bilhões foram distribuídos por meio de emendas de relator, mecanismo base do orçamento secreto e alvo recorrente de críticas de órgãos de controle.
A PF mantém abertos outros dois mandados de busca: um no apartamento da ex-assessora em Brasília e outro em sala da Câmara dos Deputados, onde material eletrônico ainda será periciado.
No encerramento das diligências, os agentes destacaram que o bilhete manuscrito reforça a linha de investigação sobre a centralização das emendas em gabinete ligado à presidência da Casa.
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Crédito da imagem: Divulgação