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domingo, abril 12, 2026

Fortaleza faz 300 anos: 60% dos prédios tombados cabem em um só bairro

FORTALEZA/CE – A capital cearense celebra três séculos em 2026, e o bairro Centro, berço da cidade, guarda dez construções que narram do forte holandês ao primeiro “arranha-céu” local – um conjunto que concentra 60% dos bens tombados da metrópole, segundo o Iphan.

  • Em resumo: Fortaleza nasceu no morro de Marajaitiba e se espalhou, mas seu patrimônio histórico continua aglutinado em poucas quadras do Centro.

Raízes do poder e da fé: do Forte à Praça dos Leões

A Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, erguida sobre o antigo Schoonenborch em 1654, garantiu segurança estratégica ao porto e determinou que a vila fosse alçada a capital em 1799. Ao redor do forte brotaram a Igreja do Rosário (1730) e o Palácio da Luz (1802), trio que ainda domina a Praça General Tibúrcio.

Hoje sede do 10º Comando Militar, a fortaleza simboliza a militarização inicial da colônia. Já o Palácio da Luz, primeira sede do governo estadual, abriga a Academia Cearense de Letras, criada em 1894 – a mais antiga do país.

“Quando cheguei, notei uma falta absoluta de todas as cousas de primeira necessidade”, registrou em 1799 o presidente Bernardo Manuel de Vasconcelos, ao descrever a então pobre vila de Fortaleza.

Santidade, saúde e mártires: como surgiram a Santa Casa e o Passeio Público

Em meio às secas do século XIX, verbas da Corte financiaram o Hospital da Caridade, inaugurado em 1857 e rebatizado como Santa Casa de Misericórdia em 1861. Em frente, o Passeio Público – concluído em 1880 – transformou o antigo Campo da Pólvora, palco das execuções da Confederação do Equador, em ponto de lazer arborizado.

Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, a Regional 12, que inclui o Centro, tem apenas 31 mil moradores; ainda assim, recebe fluxo diário superior a 200 mil pessoas, atraídas por serviços de saúde, comércio e turismo histórico.

Trilhos, bondes e o ‘Excelsior’: a modernização que redesenhou a cidade

Com o boom do algodão, a Estação Ferroviária João Felipe (1880) ligou o litoral ao sertão e impulsionou os primeiros bondes a burros, permitindo que as elites migrassem para Benfica e Jacarecanga. Na mesma Praça do Ferreira, o Excelsior Hotel – sete andares inaugurados em 1931 – cimentou o status de “Belle Époque” tardia de Fortaleza, seguido pelo luxuoso Cineteatro São Luiz em 1958.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informa que apenas 8% dos 1.157 monumentos federais tombados no Brasil estão no Nordeste; Fortaleza, porém, soma 17 bens tombados na esfera estadual e municipal, demonstrando esforço local de preservação.

O que você acha? Preservar esses prédios deve ser prioridade dos próximos gestores? Para mais histórias cearenses, acesse nossa editoria Ceará.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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