São Paulo (SP) – Quarenta anos após sua morte, a voz de Elis Regina volta a ecoar em estúdio: um novo álbum póstumo, criado a partir de gravações de 1976 e restaurado por inteligência artificial, tem lançamento previsto para novembro.
- Em resumo: IA removeu ruídos das fitas originais, permitindo a produção de 10 faixas com arranjos contemporâneos.
Por dentro do processo high-tech
O engenheiro de som Ricardo Camera aplicou softwares de redução de ruído para isolar a interpretação de Elis Regina, extraída de um especial exibido pela TV Bandeirantes. A mesma técnica já garantiu sucessos recentes, como o single dos Beatles “Now and Then”, e, segundo o relatório da Variety, o uso de IA em remasterizações cresceu 35 % em 2023.
Com a voz limpa, o produtor João Marcello Bôscoli reuniu músicos de peso – Paulinho da Costa, Conrado Goys e Robinho Tavares – nos Estúdios Trama NaCena. O arranjador Marcelo Maita buscou equilibrar modernidade e fidelidade à sonoridade que consagrou a cantora.
“É como se minha mãe estivesse em plena forma, cantando hoje”, afirmou Pedro Mariano sobre o resultado preliminar das faixas.
Impacto no legado e na indústria musical
O projeto reacende polêmicas sobre obras póstumas. Em 1984, o álbum “Luz das Estrelas” seguiu roteiro parecido, mas sem IA. Agora, o debate envolve até possíveis ações judiciais sobre direitos de remixagem do disco “Elis” (1973), ainda em litígio entre a família e o arranjador Cesar Camargo Mariano.

Mercado à parte, números do IFPI indicam que catálogos de artistas falecidos movimentam cerca de US$ 2 bilhões ao ano, apontando um público ávido por “novidades” de vozes eternas.
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