BRASÍLIA – Em meio ao juro básico na casa dos dois dígitos, milhões de brasileiros se endividam sem distinguir empréstimos que ampliam patrimônio daqueles que apenas drenam o orçamento, abrindo espaço para um efeito-bola-de-neve que trava o consumo e a economia.
- Em resumo: dívida “boa” financia renda futura; dívida “ruim” faz a parcela crescer mais rápido que o salário.
Por que algumas dívidas podem aumentar seu patrimônio
Especialistas em educação financeira explicam que um financiamento estudantil com taxa subsidiada ou o crédito imobiliário dentro do orçamento são exemplos clássicos de endividamento saudável. A lógica é simples: o retorno — seja um salário maior ou a valorização do imóvel — tende a superar o custo dos juros. Segundo planilhas do Banco Central, operações de crédito direcionado, como o habitacional, cobram hoje menos de um terço do rotativo do cartão.
Quando a conta fecha, a dívida vira alavanca: antecipa um benefício que, no futuro, pagará a própria parcela e ainda deixará saldo positivo.
“O problema não é ter dívida — mas, sim, dever mal.”
O ponto de virada: quando o débito vira armadilha
Rotativo do cartão, cheque especial e empréstimos pessoais não planejados formam o grupo “tóxico”. As taxas podem passar de 400% ao ano, quase 20 vezes a inflação projetada. Nesse cenário, a parcela aumenta a cada ciclo e consome a renda antes mesmo de cair na conta.
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio mostra que 78% das famílias estavam endividadas em março de 2024, recorde histórico. Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, esse patamar limita a retomada do consumo, já que cada real usado para pagar juro deixa de circular no varejo.
Como blindar seu bolso: passos práticos
1. Mapeamento – Liste todas as dívidas, separando aquelas que financiam ativos das que cobrem despesas correntes.

2. Renegociação – Priorize quitar ou trocar créditos caros por linhas mais baratas, como o consignado.
3. Reserva de emergência – Três a seis salários poupados evitam recorrer ao rotativo em imprevistos.
4. Planejamento – Jamais comprometa mais de 30% da renda com parcelas fixas, recomendam consultores certificados pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.
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