PARIS, Agência Internacional de Energia (AIE) – O chefe da entidade, Fatih Birol, advertiu nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, que o bloqueio no Estreito de Ormuz deixou a Europa com “talvez mais seis semanas” de combustível de aviação, acendendo sinal vermelho para cancelamentos de voos e pressão inflacionária global.
- Em resumo: Estoques europeus de querosene podem secar antes de junho se o tráfego de petroleiros não voltar ao normal.
Por que seis semanas contam tanto
Cerca de um quarto do petróleo que abastece refinarias europeias sai do Golfo Pérsico. Com mais de 80 instalações danificadas e navios retidos, o gargalo imposto pelo Irã já pressiona cotações internacionais, segundo dados do Banco Central que mostram alta de 9% no barril desde o início de abril.
Analistas lembram que, na crise do Canal de Suez em 1956, companhias aéreas da Europa reduziram 24% dos voos em apenas um mês. O cenário atual pode repetir — ou superar — esse impacto, pois o tráfego aéreo do continente hoje é sete vezes maior.
“A situação é realmente crítica e terá grandes implicações para a economia global. E quanto mais tempo isso durar, pior será para o crescimento econômico e a inflação em todo o mundo”, disse Fatih Birol.
Efeito dominó: da bomba ao bolso
O alerta não se restringe aos aeroportos. O aumento no preço do querosene pressiona passagens, frete de cargas e cadeias logísticas. Um estudo da Iata indica que cada 10% de alta no combustível aéreo eleva as tarifas em até 3,5% para o passageiro final.

Países em desenvolvimento devem sentir primeiro. África e América Latina dependem dos hubs europeus para conexões intercontinentais; interrupções podem encarecer importações e reduzir rotas turísticas. Além disso, a AIE projeta que a produção perdida no Golfo pode demorar até dois anos para se recuperar — lapsos semelhantes, como a Guerra do Golfo (1990–1991), levaram 18 meses para restabelecer níveis pré-conflito.
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