Fortaleza/CE - Em um vídeo postado no início da semana, a extensionista de cílios Assíria Macêdo, 29 anos, detalhou como o vício em apostas online a deixou com uma dívida de R$ 50 mil, tirou-lhe duas casas da família e provocou ameaças de agiotas.
- Em resumo: quatro anos jogando, patrimônio perdido e pressão para quitar empréstimos ilegais.
Como o vício se tornou impagável
A rotina descrita por Assíria girava em torno de depositar qualquer valor disponível — do salário às economias da família — em plataformas de aposta instantânea, popularizadas por jogos como “Tigrinho”. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), transações em sites de azar movimentam bilhões sem supervisão clara, o que facilita o ciclo de perda rápida e novas tentativas de “recuperar” o prejuízo.
Com o avanço das dívidas, a jovem buscou agiotas. O marido e os pais venderam duas casas para tentar cobrir parte dos valores, mas o dinheiro acabou novamente nas apostas.
“Se tivesse R$ 5 mil na conta, eu jogava R$ 5 mil. Isso destruiu minha vida, meu casamento e meus pais.” — Assíria Macêdo
Consequências além da conta bancária
A Organização Mundial da Saúde incluiu a dependência de jogos digitais no CID-11 em 2019, classificando o transtorno como problema de saúde mental. No Brasil, a regulamentação das apostas online ainda tramita no Congresso, por meio do PL 3626/23, o que deixa lacunas na proteção do consumidor e no controle de publicidade dirigida a jovens.
Especialistas em finanças pessoais alertam: a combinação de crédito fácil via PIX e apps de jogo 24 h potencializa o endividamento. Para quem já entrou no vermelho, a orientação é interromper imediatamente o acesso às plataformas, buscar terapia cognitivo-comportamental e renegociar débitos formais antes que juízes ou credores apliquem juros abusivos.
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