São Paulo – O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (17) em baixa de 0,16%, cotado a R$ 4,9842 às 8h30, sinalizando alívio imediato nos mercados após o cessar-fogo de 10 dias firmado entre Israel e Líbano.
- Em resumo: Trégua reduziu a busca por ativos de proteção e, com petróleo em queda, divisa acumula perda anual de 9,03%.
Cessar-fogo esfria prêmio de risco
O acordo temporário, anunciado pelo Departamento de Estado dos EUA, diminuiu a preocupação com interrupções na oferta de energia e trouxe alívio às cotações do Brent, que recuava 3,26% na mesma faixa horária. Menor tensão geopolítica costuma reduzir a migração de capitais para o dólar, explicam especialistas do Banco Central.
Ao mesmo tempo, líderes europeus discutem, em Paris, rotas alternativas para o Estreito de Ormuz, reforçando a percepção de menor risco de desabastecimento global.
“Há espaço para estender a trégua caso o diálogo avance”, informou o Departamento de Estado dos EUA em nota oficial.
Ibovespa, Fed e o efeito cascata
Com a moeda americana recuando, investidores acompanham a abertura do Ibovespa às 10h. O índice vem de ganho mensal de 4,99% e pode consolidar a melhor sequência desde 2022 se o humor externo permanecer favorável.
Nos Estados Unidos, discursos de Mary Daly (Fed de San Francisco) e Tom Barkin (Fed de Richmond) podem calibrar apostas para os juros americanos. Sinais de manutenção da postura “hawkish” tendem a limitar novas quedas do dólar, mas, por ora, a divisa registra desvalorização de 3,59% em abril e 9,03% no acumulado de 2024 — o melhor início de ano desde 2016, segundo série histórica do Banco Central.
Analistas lembram que, historicamente, cada recuo de 10% no preço do petróleo reduz em até 0,2 ponto percentual a expectativa de inflação global, fator que também desalavanca o dólar diante de moedas emergentes.
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