LIMA, Peru – A tensão diplomática subiu de nível depois que o embaixador dos Estados Unidos, Bernie Navarro, alertou publicamente o presidente interino José María Balcázar contra a ideia de adiar a compra de novos aviões de combate. A mensagem, divulgada na rede social X, prometeu usar “todas as ferramentas” de Washington para responder a qualquer recuo peruano no acordo.
- Em resumo: Navarro condiciona a continuidade da cooperação militar ao avanço imediato da aquisição dos jatos.
Por que o negócio é tão sensível?
A negociação envolve um pacote de aeronaves estimado em centenas de milhões de dólares, crucial para a modernização da Força Aérea Peruana. Segundo dados do Instituto SIPRI, o Peru destinou US$ 2,2 bilhões à defesa em 2023, cifra modesta frente a parceiros regionais, mas estratégica por garantir acesso a tecnologia e treinamento norte-americanos.
O atraso, argumenta Navarro, colocaria em risco linhas de financiamento externo, treinamento de pilotos e até acordos de inteligência compartilhada firmados desde 2017.
“Se negociarem de […] usaremos todas as ferramentas disponíveis”, afirmou o diplomata, em tom visto por analistas como um ultimato.
Consequências possíveis para Lima
A Casa Branca pode acionar desde a Lei Leahy, que suspende assistência militar, até barreiras comerciais a componentes de defesa, prática já usada contra países que revertem contratos estratégicos. O Peru, que participa de exercícios conjuntos como o UNITAS, veria seu calendário de manobras encurtado e perderia prioridade em repasses de fundos de contranarcotráfico.
Além disso, revisões desse porte costumam impactar a percepção de risco de agências de rating. Um levantamento da Moody’s mostra que rompimentos em acordos de defesa elevam a taxa de juros soberana em até 0,4 ponto percentual no curto prazo.
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