São Paulo/SP – Um reencontro histórico de oito pilotos que dominaram as pistas nas décadas de 1950 e 1960 terminou com um veredito nada nostálgico: as mudanças feitas no Autódromo de Interlagos “estragaram” o circuito, hoje considerado pelos veteranos uma pista “sem desafio”. O teste – realizado após a reforma de 1990 – envolveu seis esportivos de fábrica e rendeu críticas duras sobre a perda de velocidade e emoção.
- Em resumo: Lendas como Camilo Cristófaro e Bird Clemente pilotaram carros atuais e acusaram o novo traçado de facilitar demais as frenagens.
Entenda o Teste que Virou Aula de Pilotagem
Honda Prelude, Mitsubishi Colt, Renault R19 16V, Citroën ZX 16V, Peugeot 306 S16 e Fiat Tipo 16V foram levados aos boxes para um “desafio de gerações”. Sem conhecer o traçado pós-reforma, nomes como Luiz Pereira Bueno saltaram ao volante – e logo notaram o quanto a engenharia moderna havia evoluído nos freios a disco e na aderência dos pneus. Não por acaso, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta que, apenas na década de 1990, a adoção do ABS cresceu 47% nos modelos esportivos vendidos no Brasil.
Os jornalistas da revista Motor Show anotavam cada reação: tempos de volta, frenagem na Curva do Lago e comentários de quem, no passado, guiava “carreteras” sem qualquer assistência. O ponto comum? A frustração de não encontrar as curvas velozes e o desnível original que fizeram Interlagos fama mundial antes de 1990.
“Virou uma pistinha de bunda-mole! Agora é só frear, contornar e acelerar”, disparou Camilo Cristófaro ao saltar do Honda Prelude.
Por que o Novo Traçado Divide Opiniões?
A reforma de 1990 encurtou o circuito de 7,8 km para 4,3 km, eliminando trechos como a temida Curva 3 e o antigo retão. O objetivo era adequar Interlagos às normas da FIA e aumentar a segurança, após acidentes graves nos anos 1980. O resultado, dizem engenheiros, foi a redução de até 30% na velocidade média – ganho crucial para o público, mas perda de adrenalina para quem cresceu no asfalto antigo.
O episódio também expõe um paradoxo atual do automobilismo: enquanto tecnologia salva vidas, ela espreme o “risco calculado” que atraía multidões. Segundo o Relatório Global de Segurança em Pistas da FIA, o índice de lesões graves caiu 62% desde os anos 1990; ainda assim, puristas sentem falta do fator imprevisível que consagrou lendas como Fittipaldi e Pace.
O que você acha? Interlagos precisava mesmo sacrificar emoção em nome da segurança? Para mais análises sobre o mundo automotivo, visite nossa editoria Auto.
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