Reembolso bilionário de Trump trava? US$166 bi em jogo

Washington, EUA - O tão aguardado CAPE, sistema eletrônico que devolve as tarifas impostas por Donald Trump, entrou em operação nesta segunda-feira (20) e deve liberar até US$ 166 bilhões aos importadores. A largada, porém, veio acompanhada de alertas sobre falhas técnicas que podem atrasar o reembolso para mais de 330 mil empresas.

  • Em resumo: Portal deve pagar US$ 166 bi, mas empresários temem “apagão” na fase inicial.

Entenda o que está em jogo nos cofres das empresas

Segundo dados obtidos pela Reuters, 56.497 importadores já concluíram o cadastro e esperam recuperar US$ 127 bilhões — 76% do total elegível. O CAPE promete um único depósito com acréscimo de juros, encerrando a maratona de solicitações separadas que vigorava desde a implementação das taxas.

A devolução tem peso extra num momento de aperto de caixa: estudo do Peterson Institute mostra que as tarifas de 2025 elevaram em 21 bilhões de dólares o custo de insumos para a indústria norte-americana, pressionando margens e repassando aumentos ao consumidor.

“Não há como saber se o portal vai travar”, alerta Jay Foreman, CEO da Basic Fun, que tenta recuperar US$ 7 milhões.

Riscos de pane e batalha política por trás do CAPE

Empresas relatam cadastros recusados por detalhes como “Inc.” ou “Co.” no nome social e reclamam de digitar dados bancários que já constam nos registros da Alfândega. A apreensão cresce porque o governo tem até o início de maio para recorrer da decisão judicial que derrubou as tarifas e forçou a criação do sistema.

O impasse também reacende o debate sobre quem, de fato, deve receber o dinheiro. Como a lei prevê reembolso somente ao importador oficial, famílias americanas que pagaram a conta no varejo — e enfrentaram inflação de até 3,4% nos itens afetados, segundo o Bureau of Labor Statistics — podem ficar de fora.

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Crédito da imagem: AP Photo/Julia Demaree Nikhinson

Marta Silva

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