BRASÍLIA - Escolher um financiamento sem checar o Custo Efetivo Total (CET) pode transformar uma compra em dívida que cresce até 90% além do valor anunciado, segundo especialistas.
- Em resumo: CET reúne juros, IOF, tarifas e seguros, elevando silenciosamente o preço final do empréstimo.
Como o CET infla cada parcela
O CET funciona como um “pacote completo” de custos. Ele inclui juros, IOF e tarifas listadas pelo Banco Central, além de seguros muitas vezes contratados sem a devida atenção do consumidor.
Basta um seguro prestamista ou taxa de cadastro para que um juro anual nominal de 12% salte para quase 44% ao ano, mostram simulações de consultores financeiros.
“Quanto eu pego hoje e quanto vou devolver no total: essa é a conta que importa”, alerta Marcos Crivelaro, da Fundação Vanzolini/USP.
Endividamento recorde expõe o risco
Com 80,4% das famílias brasileiras já endividadas, o crédito caro se tornou vilão do orçamento. Apesar da ligeira queda da Selic, juros rotativos do cartão seguem acima de 400% ao ano, pressionando o bolso e estimulando refinanciamentos pouco vantajosos.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 29,6% das famílias têm contas em atraso. Em cenário de inflação de combustíveis e alta de serviços, assumir nova dívida sem entender o CET pode agravar a inadimplência – hoje em trajetória ascendente desde 2023.
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